ATA - Resumo da Reunião Ordinária do Instituto MOSAP

realizada em 24 de abril de 2003

 

 

 

Aos vinte e quatro dias do mês de abril de 2003, às 16:15 horas, na sede social, SHCGN 702/3-bloco E-loja 37, prédio do Sindtten – 4º andar, Brasília/DF, foi iniciada reunião ordinária, convocada com a seguinte pauta: 1) - Avaliação da Audiência da Comissão Especial na Câmara dos Deputados sobre a Reforma da Previdência ocorrida na manhã do dia 24, MOSAP, CNI (Confederação Nacional da Indústria), CNA (Confederação Nacional da Agricultura), CNC (Confederação Nacional do Comércio) e COBAP  - 2)  Avaliação sobre o Seminário Internacional: Reforma da Previdência, realizado dia 23/04; 3) - Avaliação e consideração iniciais sobre as Propostas da Reforma da Previdência que o Presidente LULA prometeu, através da mídia, enviar até o dia 16 ou 17 de abril corrente, ao Congresso Nacional; 4) -  Assuntos Gerais. A reunião foi presidida por Edison Guilherme Haubbert, que saudou os presentes em nome de Domingos Travesso, e explicou a mudança de horário, em face da audiência ter terminado depois das 14 horas. Solicitou aos presentes que se apresentassem: Edison da UNAFISCO/MG, Pinheiro da ACAF/SP, Darcy da ASAPTCU, Sálvio do MOSAP/DF, Ana Maria, Haroldo e Wilson da CLDF/DF, Robinson e Anamany da APAFERJ, Francisco e Maria José do SINPRO, Jocyléa da ASAPTCU,  ..........., Luiz e Rubens da UPRB-Casa do Inspetor,  David Ferreira da Ass. dos Fiscais de MG, Norma Piazera do SINDTTEN e Ogib da ASA/CD. Correspondência  recebida – Recebemos muitas cartas, boletins, jornais, na maioria enfocando a situação que estamos vivendo, e que os interessados poderão procurar na Secretaria.  Correspondência expedida –.No período foi expedida correspondência a todas as entidades, citando em especial o seminário de 23/04 e a audiência do MOSAP em 24/04.  Além dos presentes a esta reunião, houve presença maciça de representantes do MOSAP nos dois eventos. Reforma da Previdência - É preciso registrar a importância do material produzido, e que as palestras dos convidados ao seminário podem ser encontradas nas páginas das entidades que integram o Movimento. Reproduzimos a fala de Edison na audiência pública, para que todos conheçam e fique registrada:  “O próximo conferencista, a quem concedo a palavra, é o Sr. Edison Guilherme Haubert, Presidente em exercício do Instituto MOSAP — Movimento dos Servidores Aposentados e Pensionistas. S.Sa. tem a palavra por até 20 minutos. O SR. EDISON GUILHERME HAUBERT - Sr. Presidente, membros da Mesa, Sr. Relator, Deputado Pimentel, demais conferencistas, Sras. e Srs. Deputados, senhores e senhoras, inicialmente, quero justificar a ausência do Presidente do MOSAP, que não pôde comparecer por motivo de saúde. O Dr. Domingos Travesso, nosso Presidente, é um homem de 77 anos, que deu início a este movimento em 1991 porque logo que se aposentou, ao receber seus proventos, notava que eles sempre diminuíam. Então, iniciou este movimento, primeiro entre os servidores da Receita Federal do Estado de São Paulo, depois com os servidores da Receita Federal em todo o Brasil e, em 1992, fundou o movimento com todos os servidores públicos do País. Quero trazer uma saudação do Presidente a todos os senhores e dizer da nossa satisfação por estarmos aqui. Ouvimos com muita atenção os pronunciamentos dos capitães da indústria, do comércio e da agricultura. Tudo o que foi dito é verdadeiro. Concordamos. Tem de ser assim mesmo, embora nós, servidores públicos deste País, a partir de 1991, tenhamos sido escolhidos para bode expiatório de tudo o que acontece de dificuldades na Previdência Social. É claro que sabemos que há dificuldades. É claro que entendemos que existem diferenças de caixa, o propalado déficit da Previdência pública, mas também sabemos que esse déficit não é verdadeiro. Não vou entrar em detalhes nem em números porque eles já foram exaustivamente discutidos nesta Comissão e em todos os fóruns que se estão realizando por este Brasil afora. Temos como certo que a Previdência não é deficitária. Ela é superavitária. O problema está na forma como se define que o Estado é responsável por todos os servidores públicos, sejam eles da União, dos Estados ou dos Municípios. Quando o cidadão se apresenta para fazer um concurso público, ele o faz cumprindo rigorosamente os preceitos contidos no edital. Não modifica nada depois do edital. Ele concorre com todos os seus concidadãos que se inscreveram para o mesmo concurso. Portanto, se passar e assumir a função, não estará usurpando nada, nem buscando privilégios, mas apenas recebendo aquilo que o próprio Poder Público lhe colocou à disposição para que possa ser um servidor público dedicado, exemplar, como todos são, e, sobretudo, cumpridor da função de bem atender a toda a sociedade. O servidor público escolhido como bode expiatório — assim nos parece — sente-se preocupado, está amargurado. Temos a impressão de não ter mais segurança nenhuma em nossas atividades, como se nosso salário, nossas aposentadorias e nossas pensões fossem uma usurpação. Não entendemos assim, e a própria Constituição Federal nos dá a guarida legal necessária para o desempenho das nossas funções. Portanto, não aceitamos a pecha de que somos privilegiados. O único privilégio que talvez tenhamos é a coragem de nos preparar para os concursos públicos e de assumir o ônus da nossa função, muitas vezes ganhando pouco, mas com aquela idéia de que teremos uma segurança relativa durante longo período de nossas vidas. Começo afirmando que não nos sentimos privilegiados, a não ser no aspecto de que falei há pouco. A Constituição, em seu art. 40, garante aos servidores públicos aposentados e pensionistas as prerrogativas da paridade de vencimentos e da integralidade das pensões. E a mesma Constituição garante a não-contribuição de servidores inativos. É difícil para nós, servidores públicos, discutir com os capitães da indústria, do comércio e da agricultura, porque eles têm razão em tudo o que afirmam. Sabemos que a capitalização é desejável para todos. Se tivéssemos saldos dos nossos salários para aplicar em sistemas de capitalização, certamente o faríamos. Quem não gostaria de ter uma capitalização? Quem não gostaria de ter uma poupança interessante, para não mais ter de se preocupar com o dia a dia ou com encargos de família, de saúde, de educação e assim por diante, com seus próprios encargos de dignidade de vida, como servidor público ativo, aposentado ou pensionista? É a própria Constituição que nos garante as prerrogativas em que estamos investidos. É lógico, queremos participar da reforma, queremos participar da construção deste Brasil. Sempre quisemos. Todos os servidores públicos deste País, principalmente enquanto estão na atividade, preocupam-se em construir este Brasil com dignidade, desempenhando bem o seu papel. Assim, as carreiras, por exemplo, dos auditores fiscais da Receita Federal, dos auditores fiscais da Previdência, dos auditores do Ministério do Trabalho, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, do Judiciário, do Legislativo e todas as demais carreiras do Executivo.  Não achamos que estamos usurpando nenhum tipo de privilégio, até porque estamos amparados pela lei. Vimos discutindo, desde a campanha política passada, a necessidade de se construir um Brasil novo, porque nos últimos anos o que se viu foi a venda do patrimônio nacional, que muitos dizem que não ocorreu; dizem que na verdade houve uma doação para os grande capitais, internacionais ou brasileiros, não importa. Hoje, o País não tem mais patrimônio. As telefonias são todas ou da Espanha ou de Portugal. As companhias de eletricidade também não são nossas. O que se vê é o Governo tendo de subsidiá-las ou de emprestar-lhes dinheiro. Assim como no passado emprestou para a compra, agora terá de emprestar para que elas não saiam do País ou para que não quebrem aqui dentro. Não somos os únicos responsáveis por todas as mazelas que houve. Dizem que o servidor público nunca contribuiu. Contribuiu sim. Nos antigos regimes, de 1938 a 1951, os servidores contribuíram para o Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado (IPASE) com aplicação de alíquotas de 4% a 7% sobre o total de sua remuneração. De 1952 até 1973, passaram a contribuir com 7,2%. Em 1974, 80% dos servidores foram transferidos para o regime geral, contribuindo com 8% a 10% sobre o teto de vinte salários mínimos. Em 1977, o IPASE foi incorporado ao Sistema Integrado de Previdência e Assistência Social (SINPAS), e o fundo do IPASE desapareceu. Em 1988, os servidores foram enquadrados no regime jurídico único, e mais uma vez os fundos de previdência dos servidores públicos desapareceram. Em 1993, a contribuição dos servidores passou a representar de 9% a 11% sobre a remuneração total de seus vencimentos, ou de seus proventos. Os servidores públicos sempre contribuíram para a Previdência Social. No entanto, os recursos de cinqüenta anos dessa contribuição simplesmente desapareceram, foram desviados para outras finalidades, e o Governo nunca cumpriu sua obrigação de depositar a parte patronal. Ora, se o Estado, durante todo o período em que a previdência do servidor público era altamente superavitária, não cuidou de criar um fundo e destinou toda a receita das contribuições dos servidores para a realização de obras e outros fins, não é justo agora que exija que apenas os servidores em atividade arquem com toda a despesa das aposentadorias. O Estado passou por um enxugamento drástico de pessoal nos últimos anos, conforme tabelas já largamente difundidas da Secretaria de Recursos Humanos, que demonstram como a despesa com pessoal vem diminuindo comparativamente à receita corrente líquida da União. A queda drástica, de 54,5, em 1995, para 36,7 em 2002, prova que as dificuldades financeiras do Estado não decorrem de gastos com os servidores. Dessa forma, entendemos que não há déficit público da Previdência e também que nós, servidores públicos ativos, aposentados e pensionistas, não podemos aceitar essa duríssima carga que querem nos impor. Por que não se pensa em outros setores? Não ouvi ninguém falar nos problemas que há com as entidades filantrópicas, nos desvios enormes de receita da própria Previdência, na sonegação, na dívida da União, dos Estados e de muitos Municípios para com a Previdência. Existe dívida? Claro que sim. Por que não se fala nisso? Por que não se fala em taxar, talvez, bens supérfluos? Por que não se tenta discutir a possibilidade de descontar para a Previdência sobre viagens ao exterior de turistas bem abastados?  Porque servidor público não está fazendo essas viagens, não pode, não tem dinheiro, não tem dólares para gastar. Como essas, há muitas outras possibilidades para resolver parte do problema da Previdência. Não estamos rejeitando a possibilidade de que os servidores que queiram, facultativamente, ingressem em sistemas de fundos. O que não podemos é aceitar a pecha, em voga nos últimos dias, nos últimos meses, de que os servidores do Legislativo, do Judiciário e do Ministério Público são os grandes responsáveis pelo déficit. Ora, se 5% da população brasileira fossem responsáveis por isso, representariam muito pouco no PIB e muito pouco nas despesas globais. Também muito pouco em relação às dívidas externa e interna brasileiras, que certamente não decorrem desses aspectos da Previdência, porque os servidores públicos federais ganham “x” ou “y” e descontam 11% sobre a totalidade de seus ganhos. A Constituição Federal, em seu art. 5º, inciso XXXVl, estabelece que a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. Nós, servidores públicos, tanto federais quanto estaduais e municipais, aposentados ou pensionistas, temos sim o direito adquirido, garantido pela Constituição Federal, e entendemos que o direito adquirido de aposentados, um deles o de não contribuir para a Previdência Social, está embasado na cláusula pétrea do art. 60 da Constituição Federal, § 4º, inciso lV:

“Art. 60.

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§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: IV - os direitos e garantias individuais. “

Portanto, para instituir ou mesmo modificar a contribuição para a Previdência por parte dos servidores aposentados e pensionistas, é necessária uma nova Constituinte brasileira originária, porque os atuais Parlamentares no Congresso Nacional não são originários, mas derivados desta Constituição.

Temos de acreditar nesta promessa feita pelo hoje Presidente Lula, ontem candidato, quando, entre outras coisas, agradecia ao povo brasileiro o apoio no primeiro turno da caminhada pela construção de um Brasil decente e reiterava os compromissos com a justa valorização de todos os profissionais do serviço público:

“Somamos, portanto, a nossa admiração, a nossa esperança e a nossa solidariedade a cada um e a cada uma de vocês que, em seu esforço de luta quotidiana, mesmo com todas as adversidades impostas pelo atual Governo FHC, continuam abnegados na prestação de serviços de qualidade à população do Brasil. Nesse segundo turno, contamos com vocês para conseguirmos os votos necessários a nossa eleição.Lula Presidente, pois assim seremos reais parceiros de trabalho, seremos companheiros e companheiras comprometidos com a promoção da paz e da justiça social em nosso País. No art. 13, item 10, Lula menciona, entre os direitos que diz que não vai mexer: retorno de paridade entre ativos, aposentados e pensionistas.”

Portanto, está reafirmando o princípio da própria Constituição Federal, respeitando os direitos adquiridos. O próprio Ministro da Previdência, em reuniões que tivemos oportunidade de realizar, aconselhou-nos a não perder tempo com o problema do direito adquirido, uma vez que ele será respeitado. E até acreditávamos. Mas hoje, infelizmente, houve negociação e pressão dos Governadores para que a proposta do Governo Federal taxasse os inativos, sob pena de não haver acerto com relação ao ICMS ser descontado nos Estados produtores ou nos de consumo. Então, tratou-se de clara imposição dos Governadores. Sr. Presidente, o direito adquirido precisa ser respeitado de acordo com a Constituição Federal vigente, e não por meio de emendas constitucionais. O direito adquirido precisa ser respeitado tanto para os aposentados e pensionistas — aposentadoria integral, pensão integral, paridade, isenção de contribuição —, como para os servidores em atividade, permitindo-se que se aposentem com base na Carta Magna, segundo as mesmas regras estabelecidas para os que já se aposentaram. Faço minhas as palavras do então candidato e hoje Presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Ninguém pode chegar aqui e dizer que vai fazer a reforma da Previdência, que ela será universalizada, que teremos um único sistema de previdência, público e privado, e tudo estará resolvido”.  Está mentindo quem diz isso, porque o servidor público concursado tem direito adquirido constitucionalmente, e há decisão do Supremo Tribunal Federal nesse sentido. Portanto, podemos fazer a reforma da Previdência, mas ela vigorará para os que entrarem no serviço público e não para os que já estão. Lutei a vida inteira pelos direitos adquiridos dos trabalhadores e não vou querer tirar direito adquirido de ninguém. Por isso, quero crer que não é verdadeira a intenção do Governo Lula de encaminhar proposta de emenda constitucional que taxe aposentados e pensionistas, retire outros direitos, quebre a paridade e institua 70% da pensão, como se isso dependesse apenas de decisão pessoal. A decisão é de Deus. A pensão pode ser decorrente tanto de dois ou três anos de efetivo exercício do servidor quanto de trinta ou quarenta anos. Não depende de nós. Então, que aposentados e pensionistas, servidores públicos da ativa — e até mesmo os que ingressarem porventura no serviço público — trabalhem com tranqüilidade para que, quando aposentados, tenham a vida digna que merecem, que o País lhes proporcionou, o que não é privilégio de ninguém, muito pelo contrário, é o estrito cumprimento da Constituição Federal e das leis subseqüentes. A Constituição e as leis foram feitas por Parlamentares e não pelos servidores. Muito obrigado. (Palmas.)” 

aubbnert, para que fique registradaConclusões finais e resoluções - Perguntado sobre o senador Paulo Paim, o relator José Pimentel foi evasivo. O MOSAP vai conversar com Paim e com todos os demais, pois não vamos nos conformar com declaração de voto, o que vai importar é o voto. Quanto à vinda do presidente Lula, acompanhado dos governadores e do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social,  para entregar ao Congresso Nacional as mensagens e textos das reformas, as entidades devem estar atentas, não dá para marcar qualquer atividade, em princípio porque não temos os textos e depois a data pode ser mudada. O representante do SINPRO lembra que os argumentos contra a taxação para aposentados e pensionistas estão no site do próprio PT, em material produzido pelo assessor Luiz Alberto, o que foi mostrado pelo Globo de 10/04.  Agradecemos a presença de todos, esperando continuar contando com o apoio de nossas entidades filiadas, e estaremos marcando nova reunião depois da entrega da PEC ao Congresso Nacional. E para constar eu, Misma Rosa Suhett, secretária geral, lavrei a presente ata que assino ao lado do presidente.

                       

 

          MISMA ROSA SUHETT                       EDISON G. HAUBBERT

Secretária Geral                                 Presidente