A FRENTE informa – 27.09.2006

 

HOJE É DIA NACIONAL DO IDOSO

Parabéns a você que é idoso, a você que se encaminha para ser idoso, a você que respeita e considera o idoso, a você que um dia será idoso e talvez encontre um mundo mais justo porque nós, os idosos de hoje, não entregamos os pontos, e lutamos muito, com o apoio dos jovens

 

Estivemos no Centro de Convivência de Luziânia/GO, a convite da Secretária de Promoção Social e Trabalho, Roseane M Limeira, e nos surpreendemos com o numeroso público que estava lá para conhecer o Conselho Municipal do Idoso, cuja presidente é Joselita, ex-diretora de aposentados do SINSPREV/DF.

Depois da apresentação do coral e do grupo teatral, fizemos uma palestra e recebemos com grande alegria a atenção daquele público e as manifestações de aprovação às nossas palavras, onde colocamos o sentimento do orgulho de ser velho mas sentir-se jovem.

Levamos uma mensagem do senador Paulo Paim, que foi bastante aplaudida, e achamos que essa mensagem deve ser reproduzida aqui para que todos os idosos saibam o quanto são importantes para o senador.

Também transcrevemos alguns trechos que fomos encontrando por aí, apesar de não termos a data precisa, mas entendendo que é um material de alguma valia para os idosos; acontece que as eleições estão polarizando o conteúdo da mídia, e não há nenhuma referência aos idosos.  É uma pena! Eles não sabem o quanto ainda poderemos fazer em benefício da humanidade, o quanto pode ser apreendido da memória e da sabedoria dos velhos!

Brasília, 26 de Setembro de 2006

Aos idosos da cidade de LUZIÂNIA – Goiás:

Cumprimento a todos os presentes neste importante evento e parabenizo aos organizadores pela iniciativa pois é assim, passo a passo, que vamos construir uma nova sociedade.

O meu respeito e admiração para com os idosos é de ciência pública e mais do que isso, é uma relação de reconhecimento para com aqueles que construíram sua história e não merecem vê-la apagar-se no tempo como se nada tivesse representado.

Acredito ser impossível pensar na construção de um futuro sadio para nossa sociedade, enquanto os nossos idosos são vistos como seres descartáveis, cujo tempo já não mais existe. O tempo é agora e não importa se neste momento estamos envelhecidos. Relevante é, estarmos vivos, termos nossa dignidade respeitada, exercermos plenamente nossos direitos, participando da vida com a experiência que nos foi presenteada e com ela contribuindo na edificação de novos caminhos.

É preciso resgatar a memória nacional, mostrando às novas gerações que tudo que vem sendo feito só foi possível porque aqueles que vieram antes fizeram sua parte. Uma sociedade só terá futuro digno a partir do reconhecimento e da valorização do seu passado.

A criação do Estatuto do Idoso é um grande marco na história de luta pelos direitos dos nossos idosos. Ele é resultado de anos de trabalho com grupos da terceira idade e de entidades de aposentados e pensionistas que acreditavam que a conquista da cidadania plena, passa também pelos direitos que foram assegurados nesta Lei.

Cada capítulo do Estatuto colocou em discussão temas importantes, como responsabilidade da União, a criação dos Conselhos do Idoso para fiscalizar, o Direito à Vida e à Saúde, à Habitação, à Alimentação, à Convivência Familiar e Comunitária, ao Trabalho, à Educação, Cultura, Esporte Lazer, a uma Previdência Social digna, à Assistência Social e Jurídica, enfim, o Estatuto do idoso representou o resgate da dívida que o país tem com este seu cidadão, cujas ações construíram a Nação de que hoje nos orgulhamos.

A Lei não é perfeita. Sabíamos das dificuldades a serem enfrentadas quando o Estatuto entrou em vigor. Nosso trabalho junto à sociedade é superá-las uma a uma. Acredito sinceramente que no futuro, com certeza estes desafios estarão superados e estaremos lutando por outros direitos ainda não conquistados.

Estou preocupado com as questões que ainda não foram solucionadas em relação ao Estatuto do Idoso.

Toda sociedade está convocada a fazer com que o Estatuto seja cumprido, mas alguns atores e agências são fundamentais: os Conselhos do Idoso, o Ministério Público, os profissionais de saúde, de assistência social e a Justiça.

Assim como a Subcomissão do Idoso no Senado Federal está sendo mobilizada no sentido de buscar soluções junto aos Órgãos Públicos e à sociedade, que garantam respeito ao Estatuto, é de fundamental importância que a sociedade civil também participe deste debate. Todos devem se mobilizar no sentido de reivindicar o cumprimento dos direitos dos idosos.

A união de todos e o esforço de cada um em favor desta luta, trilhada com dedicação e garra, fará com que venhamos a colher os frutos merecidos.

Por fim desejo registrar que mesmo não podendo estar aí com vocês, meu pensamento e minha força não os abandonam nunca.  Estejam certos de que permaneço na luta pelo respeito aos direitos dos idosos e não pretendo fraquejar!

Meu forte abraço a todos!!! PAULO PAIM  Senador-PT/RS

 

Este texto faz parte de material do IBGE

Até 2025, o Brasil será o sexto país do mundo com o maior número de pessoas idosas. Pelo menos segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Daí o alerta ao governo brasileiro para a necessidade de se criar, o mais rápido possível, políticas sociais que preparem a sociedade para essa realidade.

Ainda é grande a desinformação sobre o idoso e sobre as particularidades do envelhecimento em nosso contexto social. O envelhecimento humano, na verdade, quase nunca foi estudado. Poucas escolas no país criaram cursos para auxiliar as pessoas mais velhas. Uma prova disso é que até um tempo atrás, o médico que quisesse se especializar em geriatria precisava estudar na Europa.

A Constituição de 1988, no entanto, deixou clara a preocupação e atenção que deve ser dispensada ao assunto, quando colocou em seu texto a questão do idoso. Foi o pontapé inicial para a definição da Política Nacional do Idoso, que traçou os direitos desse público e as linhas de ação setorial.

Depois da criação dessa Política, através da Lei 8.842, em 4 de janeiro de 1994, é que as instituições de ensino superior passaram a se adaptar, a fim de atender a determinação da Lei, que prevê a existência de cursos de Geriatria e Gerontologia Social nas Faculdades de Medicina no Brasil. Nesse âmbito, trabalhando com a terceira idade, existem duas entidades de relevo: a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e a Associação Nacional de Gerontologia. Bom esclarecermos que a geriatria é uma especialidade da medicina que trata da saúde do idoso, enquanto a gerontologia vem a ser a ciência que estuda o envelhecimento.

Um destaque no país no auxílio à terceira idade é Brasília. Foi a primeira localidade a criar uma Subsecretaria para Assuntos do Idoso, além de instituir o Estatuto do Idoso, regido por princípios que registram o direito das pessoas mais velhas a uma ocupação e trabalho, como ainda acesso à cultura, à justiça, à saúde e à sexualidade, além, é claro, de poder participar da família e da comunidade.

Num país como o nosso, que vê sua pirâmide populacional ser modificada pouco a pouco, tomarmos conhecimento de entidades que se dedicam a mudar o perfil do idoso depressivo, abandonado pela família e sem projetos é de extrema importância.

 

CARTILHA DE PREVENÇÃO À VIOLÊNCIA CONTRA O IDOSO

A presente cartilha tem por objetivo auxiliar aos cidadãos com mais de 60 anos na prevenção aos malefícios proporcionados pelo aumento da violência, de um modo geral, e de práticas abusivas praticadas contra os idosos.

Para sua elaboração, contamos com o valioso auxílio do Programa Ligue-Idoso, órgão destinado a atender às diversas denúncias de violência, tanto física quanto psicológica, cometidas contra a população idosa.

De modo geral, a violência constitui-se no uso de palavras ou ações que "machucam" as pessoas. Desse modo, o medo e a insegurança provocados pela violência atingiram tais proporções no Brasil que tornam difícil dimensionar a própria violência. Diante de um quadro extremamente complexo, não há soluções fáceis, apesar dos discursos muitas vezes oportunistas, alheios de fundamentação coerente. O problema da violência tem causas econômicas, sociais e culturais que exigem ações do governo, mas que também são de responsabilidade do conjunto da sociedade civil, incluindo os meios de comunicação.

As práticas e situações violentas podem afetar de modo diferente as pessoas que vivem num país marcado pela desigualdade social. A violência cotidiana que atinge os menos privilegiados, como a miséria das famílias expulsas do campo, a humilhação de quem depende da saúde e do transporte público, tende a ser encarada como um tipo de fatalidade, sem relação com um modelo excludente que provoca estas situações de violência.

Por sua vez, os mais ricos e privilegiados e as camadas médias, tendem a culpar exclusivamente os bandidos pela criminalidade, e não às causas estruturais da violência. Além disso, esses bandidos costumam ser associados, preconceituosamente,  àqueles grupos que, ao nascerem, já são considerados marginais: os negros, os que moram em favelas, os pobres em geral.

Podemos associar a violência ao  déficit de democracia e de direitos humanos, ressaltando que dentre os indivíduos mais vulneráveis às mazelas sociais destaca-se a população idosa, já que a idade avançada deixa os idosos mais vulneráveis e, geralmente, mais suscetíveis  à quedas e atropelamentos. Não há segurança nas travessias de semáforos e nem  tempo suficiente para que consigam chegar ao outro lado da rua. Desse modo, podemos observar que a violência contra os idosos pode acontecer de várias formas, desde a violência psicológica, que se manifesta pela negligência e pelo descaso, até as agressões físicas.      Estabelece-se, assim, uma relação interessante: a ética, enquanto conjunto de princípios que norteiam o comportamento em sociedade, tem que absorver um novo paradigma em relação ao idoso. Ou seja, entre os princípios que regem a sociedade, deve existir o respeito ao idoso, no sentido mais amplo possível. Esta conscientização será capaz de garantir o espaço social que o idoso merece, não lhe podendo mais ser negado.

Idosos e a violência

Segundo dados fornecidos em entrevista concedida pelo advogado Alexsandre Moreira Lopes, que atua diretamente orientando idosos vítimas de violência através do Programa Ligue-Idoso, o público que recorre a este tipo de atendimento é bastante heterogêneo,  variando desde idosos à pessoas que presenciem algum tipo de violência realizadas contra estes. Desse modo, os atendimentos recebidos são agrupados em três perfis:

Ø       Maus-tratos: no caso, a violência propriamente dita, como ameaças de morte, agressões físicas ou abandono;

Ø       Desrespeito: quando o idoso é desrespeitado nos mais diversos setores (tem-se, como exemplo, o transporte público);

Ø       Ouvidoria: considerada essencial, visto que caracteriza-se numa tentativa de acordo entre as partes envolvidas e, não havendo solução, a reclamação é encaminhada a outros setores para posterior acompanhamento.

DICAS DE PREVENÇÃO CONTRA GOLPES

Principais cuidados em Agências Bancárias e nos Caixas Eletrônicos:

§         Evite ir ao banco sozinho; procure ir  acompanhado até a agência.

§         Evite auxílio de estranhos. Busque orientação de um funcionário do banco que apresente visível identificação.

§          No caixa, sendo necessário digitar a senha, coloque o corpo bem junto ao teclado, para evitar que alguém veja o número da combinação.

§         Confira o dinheiro ainda no caixa, evitando fazê-lo fora da agência.

§         Não guarde o número da senha junto com o cartão.

§         Utilize  caixas eletrônicos localizados na parte interna das agências bancárias ou em locais movimentados ( shoppings, por exemplo), preferencialmente ao dia.

Cuidado em Vias Públicas:

§         Procure não caminhar sozinho, e sim acompanhado por alguém.

§         Procure variar seu  trajeto, saindo em horários diferentes.

§         Evite andar em locais mal iluminados, mesmo que deseje cortar caminho.

§         Procure não ostentar relógios ou jóias em via pública.

§         Evite levar muito dinheiro na bolsa, deixando à mão o suficiente para despesas pequenas.

Conto da Aposentadoria:

§         Nesse tipo de golpe, é essencial que  a vítima não seja contribuinte da Previdência Social.

§         Identificando-se como fiscal da Previdência, o golpista demonstra bom conhecimento de assuntos previdenciários, prontificando-se a conseguir aposentadoria para a vítima, mesmo  sem a contribuição mensal.

§         A vítima, ao  aceitar a proposta,  paga várias parcelas em dinheiro pelo “auxílio”.

§         O estelionatário some quando a vítima percebe que tudo não passou de um golpe.

O Conto do Cartão Engolido:

§         Utilizando um produto aderente, o golpista faz com que o cartão magnético do banco, utilizado pela vítima, fique preso no caixa eletrônico.

§         Observando a vítima digitar a senha do cartão, o estelionatário fica a distância; quando a vítima desiste de usar a máquina e deixa o cartão, o golpista o retira e saca todo o dinheiro disponível na conta corrente da vítima.

Golpe do Cartão Eletrônico:

§         De início, os estelionatários  colocam no caixa eletrônico um dispositivo que prende o cartão magnético da vítima. Estes esperam a vítima; um deles, em frente ao caixa eletrônico,  coloca um aviso, com o logotipo bancário e o telefone para informações.

§         Ao ver seu cartão retido, a vítima pede informações ao golpista. Este assegura à vítima  que o caixa deve estar com defeito, devido ao aviso do lado de fora da cabine.

§         A vítima utiliza o telefone, sendo atendida por outro estelionatário; este se faz passar por funcionário  do banco. A vítima fornece  o número da sua conta e a sua senha numérica, sendo  orientada a procurar uma agência bancária para formalizar o extravio do cartão. O golpe se efetiva com o saque da conta.

Golpe do Recadastramento Bancário:

§         O estelionatário liga para a vítima e se diz  representante do banco no qual ela possui conta. Este  induz a vítima  a fazer seu recadastramento bancário, digitando os números da sua agência,  conta e  senha. Com  identificadores dos sinais sonoros dos números digitados, os golpistas conseguem ter acesso a essas informações e sacar o dinheiro da vítima.

Golpe do Reajuste Atrasado:

§         Identificando-se como funcionário de algum sindicato ou associação, o golpista age na saída de bancos ou próximo a entidades de classe. Este diz que a vítima tem direito a receber reajustes atrasados do benefício previdenciário, oferecendo-se, imediatamente, para agilizar o processo na Previdência Social. O estelionatário desaparece após receber o dinheiro.

Dentre os golpes supracitados, há outros que merecem igual destaque, como o da procuração (onde o golpista induz o idoso a passar seus bens para o seu nome) e o da venda de imóveis ilegais.

Violência Intrafamiliar:         A família, sob o pretexto de cuidar do bem estar do seu idoso, de protegê-lo e poupá-lo, o exclui das decisões e tira sua liberdade de escolha, chegando a decidir o que ele deve comer e vestir.

Deste modo, assume a administração dos bens do idoso (que podem ser muitos ou simplesment
e a aposentadoria), desfaz sua casa e cria uma forma de dependência cada vez maior.

Como conseqüência, o idoso torna-se um dependente, perde a autonomia e não controla nem mesmo seu próprio dinheiro. Ele passa a ter que justificar seus gastos, passa a ser controlado. Alguns reagem a essa expropriação de autonomia, outros no entanto, sentem-se frágeis demais para mudar a situação e tomar novamente as “rédeas” da própria vida.

Paralelamente, outros fatores, que não podem ser desprezados, contribuíram sobremaneira para o agravamento do problema. Em primeiro lugar, a longevidade expõe de modo mais cruel e acentuado a fragilidade dos mais idosos, revelando-os incapazes de se defender e  se manter com suas próprias forças, tornando-os excessivamente dependentes da família, que com isso lhes vai perdendo o respeito. Em segundo lugar, o inacreditável progresso tecnológico dos últimos anos fez com que fosse desprezada, em sua maioria, a experiência acumulada pelos mais idosos ao longo de décadas e décadas de trabalho. Há, então, o estabelecimento de uma hierarquia, onde o saber dos pais é suprimido pelo saber dos filhos.

CONCLUSÃO :  A sociedade, de um modo geral,  precisa definir – e com urgência – uma conduta ética para com esta camada da população, desenvolvendo mecanismos de assistência ao idoso (ressaltando aqui a grande importância do Estatuto do Idoso como veículo de cidadania), sendo certo que tais mecanismos deverão se iniciar com uma ampla política de conscientização da população, em relação aos direitos da terceira idade a uma velhice digna.

Freqüentemente, as emissoras de televisão veiculam campanhas contra o trabalho infantil, contra o uso abusivo do álcool, contra o tabagismo ...         No entanto, não se pode deixar de questionar o seguinte: por que não é feita, também, uma campanha que esclareça a população sobre a necessidade do tratamento adequado aos idosos, que tente reduzir os índices de violência contra essas pessoas, (que muitas vezes silenciam as violências sofridas por medo ou vergonha) e, principalmente, que sirva para conscientizar os idosos que eles também têm direitos, que também são cidadãos ?

Devemos encarar a promoção  da cidadania do idoso como um fator  fundamental para o desenvolvimento de um país mais justo. A ética, como já explicitado  anteriormente, tem que considerar como princípio o respeito àqueles que envelhecem. Deve haver uma mudança por parte da sociedade em relação ao idoso, pois uma sociedade consciente dos direitos daqueles que envelhecem é capaz de mobilizar o Estado para regulamentar e garantir o espaço social reservado aos seus idosos.

Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Reitor:  Nival Nunes de Almeida / Vice-reitor:  Ronaldo Martins Lauria / Sub-reitor de Graduação:  Raquel Marques Villardi / Sub-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa:  Albanita Viana de Oliveira ; Sub-reitor de Extensão e Cultura:  Maria Georgina Muniz Washington ; Universidade Aberta da Terceira Idade / Direção:  Renato Peixoto Veras / Vice-direção:  Célia Pereira Caldas / Gerência de Extensão:  Sandra Rabello de Frias / Equipe Responsável pela Elaboração desta Cartilha: Coordenação Geral:  Sandra Rabello de Frias

Organização Geral e Digitação:  Luciana da Silva Alcantara

Equipe do Programa Ligue-Idoso da Secretaria de Ação Social e  Cidadania do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Assistentes Sociais:  Maria Augusta Mele Gomes  /   Rosângela de Castro Augusto / Advogado:  Alexsandre Moreira Lopes

Telefones Úteis:

ANG - Associação Nacional de Gerontologia  Seção Rio de Janeiro:  (21)  2262-1294

Associação dos Aposentados e Pensionistas da Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro:  (21)  2544-3396

Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa do Rio de Janeiro:  (21)  2532-6359

Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro- Núcleo Especial de Atendimento à Pessoa Idosa:  (21)  2299-2272 ramais: 2289 / 2287

Delegacia Especial de Atendimento às Pessoas de Terceira Idade: (21) 3399-3181

Fórum Permanente da Política Nacional e Estadual do Idoso do Rio de Janeiro:  (21)  2210-1050  /  (21)  2517-3299

Ligue-Idoso (denúncias):  (21)  2299-5700

SOS Idoso (denúncias):  0800-22-00-08

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia  Nacional – Seção Rio de Janeiro:  (21)  2255-5038

UFF - Espaço Avançado:  (21)  2719-1165

 

Vejam alguns trechos de uma magnífica entrevista da Idade/Ativa - 

Revista voltada ao público idoso. O endereço do link é: http://www.techway.com.br/techway/revista_idoso/

por monica monteiro cocus — Última modificação 06/03/2006 09:55

Anita Liberalesso Neri, é uma das mais dedicadas estudiosas à questão da velhice e do envelhecimento no Brasil. Psicóloga de formação, é Professora Titular da UNICAMP, onde desenvolve atividades de pesquisa e ensino relacionadas à Psicologia do Desenvolvimento no Adulto e no Idoso. Preocupada com a situação da velhice no país, fundou, em 1996 o curso de pós-graduação em Gerontologia na UNICAMP. Além de professora, é coordenadora do Núcleo de Estudos Avançados em Psicologia do Envelhecimento, do Departamento de Psicologia Educacional da Faculdade de Educação da UNICAMP. Autora e organizadora de várias publicações sobre a temática da velhice e do envelhecimento, recebeu duas vezes o prêmio Guilherme Marroquino de Gerontologia (conferido aos melhores trabalhos de pesquisa em Gerontologia, pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e pela Sandoz do Brasil). Recentemente, foi eleita tesoureira do Congresso Mundial de Gerontologia, que será realizado em junho de 2005, no Rio de Janeiro.

 

IdadeAtiva: Para terminar, uma coisa me chamou a atenção durante a entrevista. A senhora fala ora de "velho", ora de "idoso". Certa vez, em uma conferência sobre trabalho filantrópico, uma pessoa chamou a atenção para o fato de que, de acordo com resoluções da ONU, a expressão "terceira idade" deveria ser utilizada ao invés de "velho"", "idoso", "velhice". Para a senhora isso é só uma questão de ser politicamente correto ou envolve um relação com a própria identidade do indivíduo?

ANITA- Para mim isso é só uma questão de ficar procurando sinônimos para nomear o mesmo fenômeno. Eu costumo dizer que estas expressões são eufemismos. O velho precisa assumir sua condição e não se envergonhar da sua velhice. E as pessoas, de um modo geral, precisam respeitar esse fato. Velho é velho, idoso, e ponto final. Chamar de "senhor/senhora da terceira idade" não vai mudar essa condição. O velho precisa ser respeitado. A sociedade precisa desenvolver estruturas que garantam um envelhecimento sadio. Eu não estou preocupada se vou ser chamada de velha ou de idosa daqui alguns anos. Eu quero apenas respeito.

Os países desenvolvidos deram conta da velhice

porque ficaram ricos antes de ficarem velhos.

IdadeAtiva: A impressão que se tem é que os países desenvolvidos estão preocupados com a questão da velhice e do envelhecimento populacional. Que iniciativas estes países estão tomando na tentativa de reverter este quadro?

ANITA- Alguns destes países estão implantando uma política que os demógrafos chamam de "transfundir sangue". É uma metáfora para significar que a população nativa, por questões culturais, sócio-econômicos etc, não está promovendo a reposição da população. Para tentar reverter o quadro, vários desses países criaram políticas para incentivar a natalidade entre nativos e também entre imigrantes. A Alemanha é um caso interessante. Até 1998, era um país que considerava como alemães apenas as pessoas que eram filhos de alemães e nascidos na Alemanha. A herança era pelo sangue e também geográfica. Filhos de imigrantes não eram considerados alemães. Eles tinham acesso a benefícios de previdência, de saúde, de educação, mas não eram considerados alemães para efeito de outros benefícios e do estado de bem-estar social. O governo conseguiu dar um salto a partir da consideração da necessidade de que a médio prazo ocorra uma reposição da população por elementos jovens que venham a constituir novos números, novas forças para o trabalho e para a vida social.

IdadeAtiva: O que se pode dizer a respeito da velhice nos países em desenvolvimento como o Brasil?

ANITA- Os problemas que se desenham para o futuro, nos países em desenvolvimento, são muito graves. A maioria desses países ainda não deu conta de seus problemas mais sérios como as doenças endêmicas, a vacinação, a mortalidade materno-infantil, problemas de saneamento básico, de habitação, de educação básica, e assim por diante. O que se desenha para o futuro desses países é algo que já se vê no Brasil hoje: nós temos uma população idosa empobrecida em sua maior parte e que não teve acesso a esses serviços básicos ao longo de seu ciclo vital. As pessoas que ultrapassaram a mortalidade vão chegando a contingentes cada vez mais numerosos na velhice. Mas são populações muito pobres, deseducadas, portadoras de doenças crônicas, que custam muito para o sistema de saúde, que custam muito para um sistema social. É preciso resolver problemas estruturais básicos para garantir uma velhice tranqüila às pessoas. Os anos remanescentes após o início da velhice, para que proporcionem dignidade para o ser humano, precisam ser anos de boa saúde, anos de respeito aos direitos, anos de oportunidades sociais.

IdadeAtiva: Então, podemos dizer que os países desenvolvidos estão estruturalmente preparados para receber seus idosos, enquanto os países em desenvolvimento não conseguem dar conta da velhice porque não conseguem dar conta de problemas estruturais básicos?

ANITA- A verdade é que os países desenvolvidos deram conta da sua questão da velhice principalmente porque eles ficaram ricos antes de ficarem velhos. Eles se tornaram sociedades afluentes. Muitos deles se tornaram Estado de bem estar-social, em que o Estado é provedor das necessidades de todos os cidadãos, antes de se tornarem velhos. Eles tiveram mais de um século, desde meados do século XIX, para que o processo de envelhecimento populacional acontecesse. Nos países em desenvolvimento, ao contrário, esse processo está muito mais acelerado. E, ao mesmo tempo, nós estamos nos tornando velhos sem antes termos nos tornado ricos. Não temos todos os recursos para implementar as políticas, as práticas, os procedimentos, os benefícios que a gente enxerga acontecendo nos países desenvolvidos, que têm políticas de pesquisa, que têm políticas de investimento a longo prazo para essas populações. Os países em desenvolvimento e os países subdesenvolvidos terão que engendrar os seus recursos, as suas providências, a sua criatividade, para dar conta dessa questão social, dessa questão de saúde, dessa questão humana que é a convivência com indivíduos que não são mais produtivos no âmbito da sociedade.

Espero que tenham gostado !

Sempre que pudermos,  faremos novas pesquisas !

 

Um quarto dos aposentados volta ao trabalho

- Tem dias em que penso em largar tudo. É uma carga de trabalho grande. Mas não consigo me imaginar em casa, sem fazer nada. Foi por isso que retornei ao trabalho.

Trabalhando desde os 17 anos, Beatriz fechou a confecção perto dos 55 anos. Ficou cerca de três anos em casa: - Fiquei sem saber o que fazer. Sou obcecada por trabalho - afirmou.

No ano passado, trabalho era principal fonte de renda Clarice percebeu na pesquisa uma mudança salarial de 2005 para 2006. No ano passado, os aposentados que voltavam ao mercado conseguiam salários superiores a seus benefícios.   Esse cenário mudou este ano: para 42,5% dos entrevistados, os ganhos na ocupação são menores que a pensão. Em 2005, essa parcela era de 35,5%.

- A necessidade acaba empurrando esses aposentados para o trabalho, mesmo ganhando menos - afirmou a economista.

Além do trabalho remunerado, outra atividade ganhou espaço na rotina dos que têm mais de 55 anos: os afazeres domésticos. No ano passado, era a terceira principal atividade, mas este ano ocupa a segunda posição, atrás apenas do lazer com a televisão. Aliás, a principal distração para os que trabalham ou não: 52% gastam o tempo em frente à TV.  - O descanso era a segunda principal atividade, mas perdeu para as tarefas domésticas - explicou Clarice. [1] .Cássia Almeida Por necessidade financeira, por não querer parar de trabalhar, para ocupar o tempo...  São diversos os motivos que levaram 23,7%, ou seja, quase um quarto dos aposentados cariocas, a voltar ao trabalho. Pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Fecomércio-RJ mostra que os autônomos são maioria nessa população acima de 55 anos que está aposentada, e a necessidade empurra 72,5% deles de volta ao mercado.

Na opinião da diretora do instituto, Clarice Messer, a experiência e a necessidade se uniram e criaram condições de os aposentados voltarem ao trabalho. Segundo a diretora, o mercado vem absorvendo essa população mais idosa. Ao se olhar a forma de inserção, notase que o emprego com carteira assinada foi o destino de 27,5% desses trabalhadores.  - A maioria trabalha por contra própria (53,8%), mas esses números mostram que a experiência está sendo valorizada no mercado de trabalho - explicou Clarice. 
Outro dado que chamou a atenção da economista foi a proporção de chefes de família entre os aposentados trabalhadores.         Os responsáveis pela despesas da casa representam 75,3% do total do grupo, o que explica a procura por emprego: - As pessoas estão vivendo mais e a população está envelhecendo, principalmente no Rio de Janeiro. Com a vida alongada, é preciso financiar essa extensão, que exige gastos naturalmente. Principalmente por a grande maioria ser chefe de família - disse Clarice. Apesar de a maioria voltar a se ocupar para complementar a renda domiciliar, 13,8% deles alegaram não agüentar ficar parados. O percentual é bem superior aos 8,2% captados em 2005. Nesse universo de aposentados está a empresária Beatriz Pestana de Aguiar. Aos 63 anos, tem energia para trabalhar 12 horas diárias, na administração de uma confecção e de três lojas de roupas voltadas para tamanhos grandes e pessoas da terceira idade
.  Fonte: O GLOBO 27.09.2006

 

A nova Câmara dos Deputados

Nem tão nova assim. Mais de 300 deputados federais, dos 513 atuais, têm boas chances de se reeleger. A conclusão é de levantamento realizado em conjunto pelo Congresso em Foco e pelo Diap. Antônio Augusto de Queiroz*, Renaro Cardozo e Sylvio Costa

Ao longo das últimas semanas, o Congresso em Foco e o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), entidade mantida há 20 anos pelos sindicatos, se uniram no esforço para identificar as principais tendências quanto à composição da Câmara dos Deputados que será eleita no próximo dia 1º.

Os resultados oferecem um rico painel da disputa para deputado federal em cada estado clique aqui para ver os detalhes de cada um deles e algumas constatações interessantes. Exemplos:
1) Nada menos que 59% dos integrantes da Câmara atual – ou seja, 303 deputados – têm boas chances de se reeleger.

2) Como no mínimo 25 deles trabalham com margem apertada para conquistar a vitória, é possível que muitos saiam derrotados da eleição. Mas é pouco provável que a Câmara chegue a ter um índice de renovação de 50%. Ou seja: é quase certo que pelo menos metade dos deputados atuais se reelegerá.
3) Vários candidatos com vitória praticamente assegurada estão envolvidos em acusações de conduta criminosa ou irregular.

4) Apesar da taxa de renovação relativamente baixa, novos nomes devem oxigenar a Casa. Já é possível antever, também, quais serão os prováveis campeões de votos. Leia mais.

5) PMDB, PT, PSDB e PFL permanecerão como os quatro grande partidos brasileiros, mas os peemedebistas devem ter melhor performance na eleição que os demais, conquistando a maior bancada da Câmara. Entre os partidos médios, o PSB é o que mais deverá crescer. Entre os pequenos, duas surpresas, o PMN e o PTC. Mas o Psol não se sairá mal para um partido em formação. Lei mais.

Antônio Augusto de Queiroz é diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

 

Cenários para a eleição da Câmara em 2006

Antônio Augusto de Queiroz   A renovação da Câmara dos Deputados nestas eleições de 2006, apesar da crise política, deve ficar aquém da expectativa geral, situando-se no mesmo patamar (43%) do pleito de 1998, ano em que também o então presidente disputava a reeleição. As razões são muitas e vão desde as mudanças na legislação eleitoral, passam pela ausência de novas lideranças e custos de imagem, até as vantagens comparativas dos que buscam a reeleição.

As mudanças aprovadas na legislação eleitoral, em particular a continuidade da verticalização, a redução da divulgação das campanhas e a vigência da cláusula de barreira, favoreceram os atuais detentores de mandato, conforme poderemos constatar a seguir.

A manutenção da verticalização para o pleito de 2006 obrigou os partidos políticos a reverem suas estratégias de campanha, reformulando as alianças no plano estadual e nacional.

A vigência da cláusula de barreira, que condiciona o funcionamento parlamentar à obtenção de 5% de votos válidos para a Câmara dos Deputados e de 2% em nove estados ou de um terço das unidades da federação, forçou muitos partidos a priorizarem a eleição proporcional.

As mudanças na lei eleitoral, em que pese seus méritos em relação à redução de despesas, à prestação de contas e combate ao abuso de poder econômico, dificultaram sobremaneira a divulgação dos nomes e programas dos candidatos, especialmente dos novos, limitando a campanha ao exíguo horário eleitoral gratuito.

Outro fator relevante que favorece os atuais parlamentares que tentam a reeleição é o déficit de novas lideranças dispostas a se aventurem na disputa eleitoral. Os custos de imagem e o medo de traumas por acusações infundadas afastam dos partidos e, principalmente, da administração pública quadros da academia, executivos do setor privado, empresários e sindicalistas, enfim, gente preparada e bem-intencionada que poderia contribuir para o aperfeiçoamento das políticas públicas.

Além de todas essas vantagens, os detentores de mandato que tentam a reeleição são beneficiados porque contam com: i) estrutura de gabinete, ii) pessoal e verba, iii) serviços prestados, iv) nomes e número conhecidos, v) dobradinhas (alianças) com deputados estaduais, vi) financiadores de campanha certos, vii) bases eleitorais definidas, viii) acesso fácil à imprensa, ix) cabos eleitorais fiéis e x) apoios em municípios e em setores organizados da sociedade.

A estimativa de renovação, em torno de 43%, só não será menor por causa dos escândalos e da crise política, que indignaram profundamente os eleitores, e também pelo fato de que cerca de 80 dos 513 deputados (ou 15% da composição da Câmara) não irão tentar a reeleição, seja porque desistiram de concorrer neste pleito, seja porque concorrem a outros cargos.

Por último, registre-se que, além da renovação abaixo da expectativa, não haverá uma oxigenação da política, com o surgimento de novos nomes. Em lugar de uma renovação real, com gente que nunca participou da vida pública, haverá uma circulação no poder, com o retorno de políticos que estavam ou já estiveram em outros cargos, como de vereador, prefeito, deputado estadual, governador, senador etc.

Antônio Augusto de Queiroz é jornalista, analista político e diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

 

- A FRENTE informa –

Produzido pela Frente Parlamentar e de Entidades Civis e Militares em Defesa da

PREVIDÊNCIA SOCIAL PÚBLICA - Desde 1995 na Luta pela Seguridade Social e Cidadania –

Secretária Executiva:–Josepha Britto–Brasília –Câmara dos Deputados –Anexo II sala T 40 -fone 3215-8503/8504   FAX 3215-8505–Cel.9966-5052 -São Paulo –Av.do Cursino 104-ap.21-CEP 04132000 Telefax 11-5062-4719 CEL 7238-0127

e-mail: josepha.britto@camara.gov.br e  josephabritto@yahoo.com.br