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Reforma da previdência | O Globo | O País Rio de Janeiro, RJ - quarta-feira, 29 de novembro de 2006 - 04:09:33
'O que temos de encontrar é uma saída para o déficit do tesouro', disse o presidente após encontro no planalto Luiza Damé e Cristiane Jungblut BRASILIA. Em seus movimentos para obter apoio de partidos de esquerda que estão na oposição, como PDT e PV, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou ontem sua intenção de não fazer nova reforma da Previdência, apesar do déficit, que deve ficar este ano em torno de R$ 40 bilhões. O presidente do PDT, Carlos Lupi, saiu do Palácio do Planalto afirmando que Lula garantiu que não fará nova reforma. Mais tarde, o presidente disse que o déficit nas contas do sistema previdenciário é problema do Tesouro Nacional e não da Previdência. Lula afirmou que é preciso encontrar uma saída para o déficit do Tesouro e repetiu a tese de que os problemas do sistema previcienciário foram na Constituição de 88, quando os parlamentares aprovaram uma série de benefícios, como a inclusão de sete milhões de trabalhadores rurais no INSS. - O Congresso aumentou o gasto do Tesouro Nacional. Jogar isso na Previdência é uma injustiça com a Previdência Social. O que temos de encontrar é uma saída para o déficit do Tesouro - afirmou Lula. - Ele não fará a reforma da Previdência. Isso é público. Ele já disse que não passa por seus projetos a reforma da Previdência. Ao contrário, quer melhorar a arrecadação, acabar com a burocracia e está fazendo um esforço no recadastramento para diminuir os gastos e os desvios na Previdência. E assumiu compromisso de não ter reforma. Ele disse que não pretende fazer a reforma da Previdência, que não quer tocar nesse assunto, que não é programa, projeto governamental dele - disse Lupi. "Quando o partido decidir, todos terão de acompanhar" Na entrevista após o encontro, o presidente afirmou que há medidas que já estão sendo tomadas, como o censo e o atendimento por telefone, para reduzir gastos e combater fraudes: - O censo foi feito com muita seriedade, ninguém reclamou, e as pessoas que estiverem ilegalmente recebendo o benefício deixarão de recebê-lo. Já estamos resolvendo o problema das filas. Hoje você não ouve mais falar tanto em fila porque o 135, que é uma discagem nacional, do Oiapoque ao Chuí, vai marcar consulta. Embora o PDT ainda não tenha aprovado o apoio ao governo, Lula disse que ficou muito satisfeito com o encontro e disse que o partido "é uma peça fundamental" na coalizão. E fez questão de lembrar de seu passado de aliança com Leonel Brizola, morto em 2004: - É um partido que tem afinidades com o PT. Eu me dou muito bem com muita gente do PDT - disse, acrescentando que os cargos federais não entraram na conversa: - Não discutimos cargos. O presidente apresentou ao PDT a agenda mínima da coalizão, com sete pontos, que incluem as reformas política e tributária e o crescimento econômico. O PDT ainda vai reunir a bancada no Congresso, a executiva e o diretório nacional para decidir se apoiará ou não o governo. Para o governador eleito do Maranhão, Jackson Lago, a maioria do partido é favorável, embora haja resistências de líderes como os senadores Cristovam Buarque (DF), Jefferson Péres (AM) e Osmar Dias (PR) - o único dos três que esteve no Planalto. - Temos o D da democracia no nome justamente para amparar a divergência de opiniões. A partir do momento que o partido decidir, todos têm de acompanhar a maioria - disse Lupi. Osmar Dias defendeu a independência do partido: - Vou obedecer, mas isso tem limite. Uma coisa é ser disciplinado, outra é ser corrompido no momento das votações. O líder do PDT na Câmara, Miro Teixeira (RJ), e o secretário do partido, Manoel Dias, também estiveram no encontro.
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