08 de fevereiro de 2006

JORNAL DA CÂMARA

Ano 7 Nº 1593

 

Referente a PEC 157

Geral

Deputados e juristas divergem sobre como mudar a Constituição

A Comissão Especial da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 157/03, do deputado Luiz Carlos Santos (PFL-SP), que convoca uma assembléia de revisão constitucional para 2007, realizou audiência pública ontem com parlamentares e acadêmicos. Segundo o presidente da comissão, deputado Michel Temer (PMDB-SP), a revisão da atual Carta é uma alternativa bem melhor do que a convocação de uma eventual assembléia para criar outra Constituição. De acordo com ele, a revisão deveria abranger itens como uma tramitação diferente para as medidas provisórias que atualmente prejudicam o trabalho no Congresso Nacional.

O relator da PEC 157/03, deputado Roberto Magalhães (PFL-PE), também defendeu a formação da assembléia revisora. Segundo ele, a quantidade de propostas de emendas à Constituição em tramitação na Casa — mais de mil — pode ser considerada como um “atentado” à Carta. “É necessário impor limites ao “ciclo interminável de reformas à Carta; não há um mês em que não haja uma proposta de reforma da Constituição em pauta”, afirmou Magalhães. Ele garantiu que os parlamentares encarregados da revisão vão respeitar as cláusulas pétreas e os direitos sociais.

Já o deputado Luiz Carlos Santos (PFL-SP) propôs um amplo debate sobre o texto e disse que, com a revisão, não há risco de perda das cláusulas pétreas e nem de direitos fundamentais.

Os professores Fábio Konder Comparato, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), e José Geraldo de Sousa Júnior, da Universidade de Brasília (UnB), alertaram para os riscos de emendar a Constituição sem a participação da sociedade. Comparato disse acreditar que “a revisão constitucional deveria partir da população, e não de cima para baixo”. Segundo ele, se não for assim, é possível que se emende a Carta Magna “de maneira contrária ao seu espírito”.

O professor José Geraldo também criticou a proposta, advertindo que a Constituição seria ameaçada porque não haveria presença atuante do povo na revisão. Segundo ele, “a modernidade implica a prevalência da sociedade sobre o Estado”, e portanto é necessário um debate nacional sobre o assunto. Ponderando que não questionava a legitimidade do Poder Legislativo para fazer a revisão, José Geraldo disse que gostaria, apenas, de alertar para “a possibilidade de golpe, ao se ignorar a soberania popular”.

Ao término da audiência pública, Michel Temer anunciou que hoje, às 11 horas, será realizado debate sobre o tema com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Nelson Jobim, no Plenário 9 da Câmara.

 

Revisão Constitucional

( 08/02/2006 )

 

Jobim defende “lipoaspiração” no texto constitucional

Por Viviane Ponte Sena

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Nelson Jobim, foi o convidado da segunda audiência pública promovida pela Comissão Especial da PEC nº 157/03, que sugere a realização de uma Assembléia de Revisão Constitucional no período de 1º de fevereiro de 2007 a 1º de fevereiro de 2008. Na avaliação de Jobim, a proposta é correta tanto do ponto de vista jurídico quanto político.

A reunião aconteceu na manhã de hoje [ontem], dia 08/02. Na terça-feira, 07/02, os membros do colegiado debateram o mérito da PEC com os professores José Geraldo de Sousa Junior (UnB) e Fábio Konder Comparato (USP). As manifestações dos acadêmicos convergiram para a premissa de que uma eventual revisão da Carta Magna deve passar pelo crivo da sociedade.

História

O presidente do STF iniciou sua exposição com um histórico do processo constituinte. Jobim foi um dos relatores-adjuntos da Comissão de Sistematização da Constituição Federal de 1988. Ele classificou como “pulverizado” o modelo de trabalho utilizado pelos constituintes. “Foram formadas 21 subcomissões onde se votou o que se bem entendia. Na Assembléia Nacional Constituinte, aconteceu o que geralmente se passa nas comissões permanentes, que é a expansão do debate para muito além de seus objetos”, ressaltou Jobim.

O ministro lembrou ainda que, depois de concluídos os trabalhos nas subcomissões, chegaram à Comissão de Sistematização 21 textos autônomos, que não se comunicavam entre si. Começava então o desafio do colegiado de organizar a redação final da Constituição. A Carta foi votada em primeiro turno. Em seguida, uma sucessão de acontecimentos até a promulgação da Constituição em 5 de outubro de 1988 – revelados recentemente – provocou indignação e teve repercussão negativa na imprensa.

A revelação mais polêmica foi a de que a Constituição contém artigos não votados em plenário. Na audiência de hoje, Jobim rememorou a situação. Ele disse que após a votação em primeiro turno, algumas lacunas importantes foram identificadas e o texto que foi votado em segundo turno, que era somente para apreciar emendas e destaques, findou acrescido com novos dispositivos. “Essa decisão de alterar o mérito foi da Comissão de Sistematização para corrigir omissões”, afirmou o ministro.

No desfecho do processo, a decisão da Comissão de Sistematização restou compartilhada por todos os constituintes. O presidente Ulisses Guimarães convocou um turno suplementar de votação (3º turno) para ratificar os dispositivos incluídos no texto constitucional entre o 1º e o 2º turnos. Encerrou-se assim, depois de dois anos de intensos debates, o ciclo constitucional.

“Lipoaspiração

Além de comentar o contexto histórico e político da Assembléia Nacional Constituinte, Jobim revisitou a conjuntura da Revisão Constitucional de 1993, que ficou reduzida a dois pontos: 1) construir as bases para o Plano Real, com a aprovação do Fundo Social de Emergência (FSE), que no Governo de FHC foi perenizado por meio da Desvinculação de Receitas da União (DRU) e 2) reduzir o mandato do presidente Sarney de cinco para quatro anos.

Passados 17 anos desde a promulgação da Carta Política e 12 anos de uma fracassada revisão constitucional, a Câmara inicia o debate da PEC nº 157/03, propondo que o Brasil tenha um Congresso Revisor já no primeiro ano da próxima legislatura, em 2007. O ministro Jobim foi enfático ao opinar que não vê nenhum problema em revisar a Constituição, segundo os termos da PEC nº 157/03. Ele considera a proposta correta, especialmente porque há a previsão do referendo popular.

O presidente do STF voltou a utilizar uma expressão para se referir a ajustes que se fazem necessários ao texto constitucional. Segundo Jobim, “a Constituição de 1988 precisa de uma lipoaspiração”. Além disso, mandou um recado muito claro aos parlamentares ao dizer que “toda vez que os deputados e senadores tentam constitucionalizar temas que são de competência de lei ou lei complementar outorgam ou transferem à magistratura federal a atribuição de fiscalizar as leis infraconstitucionais”.

  Assembléia revisional

Depois de manifestar suas impressões sobre o tema, Jobim foi interpelado por deputados que compõem a comissão especial. O colegiado, além da proposta de revisão constitucional (PEC nº 157), examina a PEC nº 447/05, que propõe uma eleição em outubro deste ano exclusivamente para escolher os representantes da Assembléia de Revisão da Constituição. Pela proposta, os eleitos terão mandato de dois anos e não poderão concorrer à eleição de 2010. Jobim discorda do mérito da PEC nº 447/05. Ele acredita que “uma assembléia exclusiva vai contra a idéia democrática de consenso”.

Entre as perguntas direcionadas ao ministro, destaque para dois questionamentos levantados pelo relator e presidente da comissão, respectivamente, os deputados Roberto Magalhães (PFL/PE) e Michel Temer (PMDB/SP). Eles perguntaram qual era o entendimento do presidente do STF sobre a possibilidade de a revisão prever nova consulta popular (referendo) acerca da forma e sistema de governo e, ainda, mudança no quorum de votação. Nesses dois pontos, Jobim também disse que não vê dificuldades para sua implementação e sentenciou: “o quorum de 3/5 não é pétreo”.

A proposta

De acordo com a PEC 157, deputados e senadores eleitos para a próxima Legislatura (2007-2010) integrariam a Assembléia Revisora Constitucional e teriam 12 meses para formular uma proposta de nova Carta, que seria submetida a referendo seis meses depois de sua promulgação pelo Congresso.

O substitutivo aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), que tem o aval do relator da comissão especial, deputado Roberto Magalhães, exclui os dispositivos do Título II da atual Constituição, referentes aos direitos e garantias fundamentais.

Alerta

Entretanto, conforme alerta o diretor do DIAP, Antônio Augusto de Queiroz, em artigo postado na página do Departamento na internet, “a convocação de uma assembléia revisional, com quorum de maioria absoluta, inferior aos 3/5 exigidos para aprovação de emendas à Constituição, tanto pode ser uma excelente oportunidade para aperfeiçoar as instituições, promovendo as mudanças que a população deseja, quanto pode propiciar enormes retrocessos do ponto de vista social”.

Ainda na opinião de Queiroz, “o fato de os direitos sociais, previstos nos artigos 6 a 11 da Constituição, não constarem entre os pontos sujeitos a mudança significa pouco. É que, além da plena liberdade para modificar os direitos dos servidores e dos aposentados e pensionistas, tanto do serviço público quanto do setor privado, a Comissão Especial ou mesmo o plenário poderá suprimir essa vedação, assim como a própria idéia do referendo. Logo, essa comissão merece um acompanhamento especial”.

Segundo o presidente da Comissão, deputado Michel Temer, os trabalhos do colegiado devem ser encerrados no prazo de um mês.

Material transmitido e disponível na pagina do DIAP.www.diap.org.br

 

 

07 de fevereiro de 2006

Correio Braziliense

Pagina 13

 
ECONOMIA

Levy culpa Previdência pela alta carga tributária

CONTAS PÚBLICAS

Secretário do Tesouro diz que redução de impostos depende de mudança no sistema de aposentadoria, cujo déficit supera os R$ 37 bi

José Varella/CB/10.3.04

 O secretário do Tesouro, Joaquim Levy, responsabilizou a Previdência Social como fator de pressão na carga tributária. Ele mencionou ainda os gastos com custeio e investimento e a transferência para estados e municípios como fatores que justificam a carga tributária elevada. Segundo Levy, o país ainda tem desafios a enfrentar, mas muitos “vão além da vontade do governo”. Ele mencionou que o percentual dos gastos da Previdência em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) tem crescido nos últimos anos. “Na Índia, a previdência social corresponde a 1,5% do PIB, isso é entre oito e 10 vezes menor do que a proporção brasileira”, disse. No ano passado, o déficit da Previdência cresceu 17,5% e atingiu R$ 37,576 bilhões. As receitas do ministério somaram R$ 108,434 bilhões, enquanto as despesas totalizaram R$ 146,01 bilhões. Apesar das afirmações contrárias ao aumento do gasto público com a Previdência, Levy afirmou que a necessidade de reformas tem que ser definida pela sociedade. O secretário prevê que no próximo governo o país alcance o chamado grau de investimento. “O próximo governo tem tudo para conseguir alcançar isso. Não é um fim em si, é uma manifestação de evolução em várias áreas, cujo efeito vai ser abaixar o custo de financiamento das empresas, aumentar o acesso ao capital e facilitar o investimento”, disse. O secretário acredita que o próximo governo não vai se deparar com questões emergenciais, como crises e disparada do dólar, mas com questões relacionadas ao longo prazo, como meio ambiente, estabilização das contas públicas e despesas correntes compatíveis com gasto de investimento. “A sociedade está madura para discutir e avaliar as questões fiscais. Se você contribui 30 anos com uma fração do seu salário, pode viver mais 30 anos recebendo o seu salário cheio?”, perguntou.

Investimentos

 Ainda no seminário, Levy afirmou que o governo “está sensível” à proposta de isentar do Imposto de Renda os ganhos obtidos por investidores estrangeiros nas aplicações em títulos de renda fixa, principalmente em papéis da dívida pública. Segundo Levy, o setor produtivo está entusiasmado com a proposta e entende que a criação de uma curva de juros é importante para o país. A medida incentiva as aplicações de investidores estrangeiros em aplicações de longo prazo.

 

 

06 de fevereiro de 2006.

FOLHA DE SÃO PAULO

Pagina - B

 

Dinheiro

Previdência precisará de novas reformas

Política Social Secretário da instituição diz que governo ainda não esgotou medidas administrativas para conter déficit

julianna sofia

da sucursal de brasilia

  São remotas as chances de o governo conceder reajuste real para os benefícios de mais de 8 milhões de aposentados e pensionistas do INSS que ganham acima do salário mínimo.

Em entrevista à Folha , por e-mail, o secretário de Previdência Social, Helmut Schwarzer, 36, lembrou que dispositivos constitucionais designam o salário mínimo como piso dos repasses previdenciários. Mas, no caso dos benefícios pagos acima do valor do mínimo, a lei prevê apenas a preservação do poder de compra ,ou seja , o governo é obrigado apenas a cobrir as perdas causadas pela inflação registrada no período.

Schwarzer defende a Previdência Social como uma importante política de transferência de renda, atuando no combate preventivo à pobreza. Para ele, embora uma nova onda de reformas nas regras do INSS esteja fora de pauta no momento, elas não podem ser descartadas mais adiante.

“Certamente, o Brasil, em algum momento futuro, terá de fazer reformas no seu sistema previdenciário para que ele possa continuar cumprindo suas funções”, afirmou Schwarzer, alemão naturalizado brasileiro e titular da Secretaria de Previdência Social desde que Lula assumiu o cargo.

O secretário disse ainda que o ministério está recalculando a projeção de déficit da Previdência p-ara este ano. No ano passado, quando o governo enviou a proposta orçamentária de 2006 ao Congresso, a previsão mais otimista era que o rombo chegasse a R$39 bilhões. Na hipótese mais conservadora, a conta fecharia no vermelho em R$ 41,6 bilhões.

Folha - O Ministério da Previdência Social refez a projeção de déficit para 2006, por conta do reajuste de R$ 50 para o salário mínimo?

Helmut Schwarzer - O modelo de projeção para 2006 está sendo refeito. Para 2005, as previsões apontavam para R$ 39,3 bilhões, mas o resultado registrado foi R$ 37,5 bilhões. Felizmente, menos do que estava projetado. O desempenho favorável da arrecadação ajudou na redução do déficit. Tivemos também um ano com mais geração de emprego formal.

Folha - Os aumentos reais concedidos ao salário mínimo nos últimos anos ajudaram no desequilíbrio das contas da Previdência?

Schwarzer - Quando o salário mínimo recebe um aumento acima da inflação, há impacto sobre os gastos previdenciários, na medida em que o mínimo é o piso dos benefícios. Esse é um dos fatores que influenciam os gastos da Previdência. Além dele, existem as regras de acesso aos benefícios, os mecanismos gerenciais, o perfil demográfico da população que vai se alterando, o comportamento do mercado de trabalho.

Folha - O senhor acredita que a Previdência Social é o mecanismo mais eficiente para se redistribuir renda no Brasil?

Schwarzer - A Previdência evita a pobreza ao proteger a população trabalhadora quando ela não está em condições de obter seu rendimento no mercado de trabalho -seja porque atingiu determinada idade, houve um acidente de trabalho, o nascimento de um filho ou algum motivo de incapacidade temporária ou permanente. Para cobrir esses benefícios, a Previdência cobra contribuições, essa é a lógica de funcionamento.

Com isso, as situações de pobreza que ocorreriam na ausência do sistema previdenciário são evitadas, ou seja, a Previdência tem um papel extremamente importante de combate à pobreza no sentido preventivo.

Em 2004, 20 milhões de pessoas estariam abaixo da linha de pobreza se não houvesse a Previdência. Mecanismos reativos de combate ao empobrecimento -como a política de Assistência Social, do Bolsa-Família, dos benefícios da Lei Orgânica de Assistência Social- são extremamente importantes e eficientes, mas agem de modo diferente.  Não é possível misturar conceitualmente esses dois tipos de política social.

Folha - Quais são as projeções de longo prazo, nos próximos dez anos, para o déficit da Previdência?

Schwarzer - As projeções apontam para um patamar em torno de 2% do PIB. Agora, estamos avaliando e recalibrando as projeções de longo prazo por conta dos últimos resultados.

Folha - O governo atual não realizou uma reforma no sistema de aposentadoria dos trabalhadores da iniciativa privada por acreditar não haver desequilíbrio nas contas do INSS. Limitou-se a reformar o sistema dos servidores públicos e ateve-se, basicamente, a mudanças administrativas e gerenciais para reduzir gastos com o Regime Geral. Isso não representa armar uma bomba-relógio para o futuro?

Schwarzer - A reforma foi extremamente importante no sistema dos servidores públicos e teve um impacto bastante positivo em termos orçamentários. De 2003 para 2004, o desequilíbrio dos regimes de Previdência dos servidores públicos manteve-se constante, não aumentou. Na proporção do PIB, caiu de 3% para 2,6%. Em termos nominais, ou seja, em valores correntes, os déficits desses sistemas somados mantiveram-se em torno de R$ 46 bilhões. A reforma foi fundamental para se manter a sustentabilidade desses Regimes Próprios de Previdência Social.

Folha - Não só no Brasil, como em vários países do mundo, a Previdência Social tem problemas. Fatores demográficos, crescimento econômico, entre outros estão por trás disso. Há necessidade de novas reformas, inclusive no Brasil?

Schwarzer  Em primeiro lugar, há a necessidade de se esgotar o potencial para ajustes administrativos e gerenciais nos nossos sistemas previdenciários e, portanto, também combater os desperdícios, as fraudes e sonegação de contribuições. Por outro lado, um sistema previdenciário é sempre uma política social, que foi montada pela sociedade para proteger a essa mesma sociedade. E, à medida que essa sociedade vai se transformando, a Previdência Social precisa ser alterada para poder continuar cumprindo suas funções.  É um grande contrato social, um pacto social que está por trás do sistema previdenciário. No Brasil, assim como em qualquer lugar do mundo, à medida que os países, suas economias, suas sociedades, seus mercados de trabalho, suas estruturas demográficas, os valores dessas sociedades, as preferências, os comportamentos reprodutivos, os comportamentos familiares, as formas de emprego forem mudando, haverá necessidade de fazer ajustes nas regras do sistema previdenciário.  Certamente, o Brasil, em algum momento do futuro, continuará tendo que fazer reformas no seu sistema previdenciário para que ele possa continuar cumprindo suas funções.

Folha - Que avaliação a Previdência faz sobre os seis anos de aplicação do fator previdenciário (sistema de cálculo dos benefícios que leva o trabalhador a permanecer mais tempo em atividade para não ter redução no valor da aposentadoria)?

Schwarzer - O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), num estudo recente quanto ao efeito do fator previdenciário, avaliou que ele efetivamente representa um incentivo para a postergação da idade de aposentadoria. Também serve ao aumento do número de anos de contribuição ao sistema previdenciário.

Folha - A aposentadoria rural é considerada por alguns especialistas um benefício assistencial. Há um dilema Assistência versus Previdência Social?

Schwarzer - Especialistas que consideram a aposentadoria rural como um benefício assistencial não têm claro qual é o conceito de assistência social. Neste último caso, o benefício está vinculado aos beneficiários estarem em uma situação econômica abaixo da linha de pobreza.

Folha - Todos os anos, o reajuste do salário mínimo é sucedido por uma outra questão: qual será o índice de reajuste dos benefícios acima do mínimo. Para este ano, qual é a projeção de reajuste para esses segurados com base na reposição da inflação?

Schwarzer - No Orçamento, há uma projeção feita no ano passado com a inflação estimada para o período maio/2005 a abril/2006. Mas, antes de falar sobre valores, é preciso deixar claro o que prevê a Constituição Federal. Ela diz que os benefícios previdenciários devem ser reajustados de modo a preservar o poder de compra de seus beneficiários. Isso significa que têm de serem reajustados de acordo com um índice de inflação. A nossa referência para reajustar os benefícios previdenciários é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor do IBGE, que tem cobertura nacional significativa e capta a variação do custo de vida da população com renda entre um e oito salários mínimos -aquela que costuma depender da Previdência Social.

 

 

PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 157 , de 2003.

(Do Sr. Luis Carlos Santos e outros)

 

Convoca Assembléia de Revisão Constitucional e dá outras providências.

 

A Mesa da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, nos termos do § 3o do art. 60 da Constituição Federal, promulgam a seguinte emenda constitucional:

 

Art. 1o. Será instalada, no dia 1o de fevereiro de 2007, Assembléia de Revisão Constitucional, formada pelos membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o objetivo de revisar a Constituição.

Art. 2o A revisão constitucional, consubstanciada em apenas um ato, será promulgada após a aprovação de seu texto, em dois turnos de discussão e votação, pela maioria absoluta dos membros da Assembléia de Revisão Constitucional.

Parágrafo único. A revisão constitucional observará o disposto no art. 60, § 4o, da Constituição Federal

Art. 3o A Assembléia de Revisão Constitucional extinguir-se-á no prazo máximo de doze meses contados da data de sua instalação.

Art. 4o Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação.

  

JUSTIFICAÇÃO

 

                                    A significativa mudança dos rumos políticos do país simbolizada pela Constituição de 1988 contrasta – reconheça-se – com as dificuldades técnicas e políticas que seu texto introduziu. Seu caráter excessivamente analítico produz evidentes inconvenientes, sobretudo nos Capítulos e Seções formulados com a finalidade de impor diretrizes programáticas à promoção do bem-estar social. O alto nível de detalhamento assumido pelo texto constitucional torna, na prática, imprescindível que seja modificada a Constituição a cada governo que se elege. Não raro, o projeto político do governante eleito guarda incompatibilidades insuperáveis com a orientação programática da Constituição. Filigranas previdenciárias, administrativas e tributárias espraiam-se por toda a extensão da Carta, suscitando obstáculos, embaraços e impedimentos de toda ordem. À toda evidência, a Constituição brasileira exacerba da tarefa de impor limites aos poderes públicos, constituindo-se em poderoso instrumento de ingovernabilidade.

 

                                    Sobre o caráter analítico da Constituição brasileira, é a precisa lição de Giovanni Sartori:

 

O ‘salto quântico’ ocorreu em 1950, com a Constituição da Índia, qie tinha 395 artigos, além de alguns anexos detalhados. Mas a Constituição brasileira de 1988 possivelmente bate o recorde: é uma novela do tamanho de um catálogo telefônico, com 245 artigos, mais 200 disposições transitórias. É uma Constituição repleta não só de detalhes triviais como de dispositivos quase suicidas e promessas impossíveis de cumprir.” (cf. Giovanni Sartori – Engenharia constitucional: como se mudam as Constituições. Brasília. Ed. UnB, 1996, p. 211)

 

                                    Em seguida, arremata o festejado cientista político italiano:

 

No entanto, estou convencido de que as Constituições não devem conter o que compete à legislação ordinária. E acho que quanto mais se regule e se prometa em uma Constituição, mais esta contribuirá para ser desrespeitada e, portanto, para o mal da nação.” (cf. Giovanni Sartori – Engenharia constitucional: como se mudam as Constituições. Brasília. Ed. UnB, 1996, p. 211)

 

                                    Não fosse suficiente o analitismo da Constituição de 1988, seu texto ainda sofreu, até o presente momento, mais de 45 modificações formais. Além das 40 Emendas Constitucionais promulgadas, há também 6 Emendas de Revisão, editadas por ocasião da Revisão Constitucional de 1994. Tudo isso em menos de 15 anos de vigência da Carta. O ritmo inflacionário com que se altera a Constituição importa em evidente instabilidade jurídica e em sensível déficit de seu valor e de sua força normativa.

 

                                    Ademais, boa parte das refomas constitucionais já procedidas demonstram clara tendência analítica, disciplinando, entre outras matérias, a composição de fundos, o regime jurídico dos policiais militares de ex-Territórios Federais e a não incidência de contribuição sobre contas correntes de companhias securitizadoras. Em voga, nos dias atuais, as propostas de Reforma da Previdência e de Reforma Tributária que contemplam inúmeras tecnicalidades e minúcias dignas de instrumentos infra-legais.

 

                                    O bom andamento das instituições políticas e o adequado desenvolvimento social do país passam necessariamente por um saneamento constitucional. É necessário que a Constituição cumpra com sua função de dispor sobre a organização fundamental do Estado, extirpando de seu texto, porém, matérias que comportariam, sem maior prejuízo, disciplina por instrumentos normativos de hierarquia inferior. Ensina Konrad Hesse, a esse propósito, que “sem prescindir das disposições puramente técnico-organizativas, a Constituição deve limitar-se, na medida do possível, a uns poucos princípios fundamentais” (cf. Escritos de Derecho Constitucional. Madrid, Centro de Estudios Constitucionales, 1992, p. 67).

 

                                    Nesse sentido, a presente proposta tem por objetivo instituir regime especial de reforma da Constituição, ofertando ao país nova oportunidade de proceder tão necessária profilaxia constitucional. Mediante a convocação de uma Assembléia de Revisão Constitucional, busca-se corrigir rumos, adequar instituições, eliminar artificialidades e pormenores, revitalizando o primado do Estado de Direito e a governabilidade do país.

 

                                    A instalação da Assembléia de Revisão teria vez no dia 1° de fevereiro de 2007, após as eleições de 2006. A revisão seria consubstanciada em apenas um ato – evitando o fatiamento ocorrido com a Revisão Constitucional de 1994 –, e teria o prazo máximo de doze meses para sua concretização. Observaria, por fim, os limites constantes do § 4° do art. 60 da Constituição Federal.

 

                                    Trata-se da verdadeira reforma política de que o país necessita.

 

Sala das Sessões, em 28 de agosto de 2003.

 

Deputado Luis Carlos Santos

 

Ordem do Dia nas Comissões

PEC 157/03 - REVISÃO CONSTITUCIONAL
52ª Legislatura - 5ª Sessão Legislativa Extraordinária

PAUTA DE REUNIÃO ORDINÁRIA EM 14/2/2006

 às 14h30   - C O N F I R M A D A

Exposição pelo relator, deputado Roberto Magalhães, e debate com os membros da Comissão sobre pontos relevantes da PEC 157-A/2003 e apensada, visando a obter sugestões.

 

Última Atualização: 07/02/06 12:09:19)

(Ordem de indicação)

Comissão Especial destinada a proferir parecer à Proposta de Emenda à Constituição nº 157-A, de 2003, do Sr. Luiz Carlos Santos, que "convoca Assembléia de Revisão Constitucional e dá outras providências". - PEC15703

Presidente: Michel Temer (PMDB) 1º Vice-Presidente:

2º Vice-Presidente:

3º Vice-Presidente:

Relator: Roberto Magalhães (PFL)

TITULARES

SUPLENTES

PT

Antonio Carlos Biscaia RJ (Gab. 414-IV)

José Eduardo Cardozo SP (Gab. 381-III)

João Paulo Cunha SP (Gab. 2-II)

Luiz Bassuma BA (Gab. 617-IV)

Luiz Eduardo Greenhalgh SP (Gab. 466-III)

Maurício Rands PE (Gab. 237-IV)

Mariângela Duarte SP (Gab. 924-IV)

Paulo Rubem Santiago PE (Gab. 229-IV)

Odair Cunha MG (Gab. 556-IV)

Walter Pinheiro BA (Gab. 274-III)

Rubens Otoni GO (Gab. 501-IV)

(Deputado do PSOL ocupa a vaga)

PMDB

Albérico Filho MA (Gab. 921-IV)

Mendes Ribeiro Filho RS (Gab. 222-IV)

Eliseu Padilha RS (Gab. 209-IV)

Nelson Trad MS (Gab. 452-IV)

Mauro Benevides CE (Gab. 607-IV)

3 vagas

Michel Temer SP (Gab. 14-II)

 

Moreira Franco RJ (Gab. 301-IV)

 

Bloco PFL, PRONA

Luiz Carlos Santos SP (Gab. 836-IV)

Edmar Moreira MG (Gab. 606-IV) - vaga do PL

Paulo Magalhães BA (Gab. 903-IV)

Pauderney Avelino AM (Gab. 260-IV)

Roberto Magalhães PE (Gab. 503-IV)

3 vagas

Vilmar Rocha GO (Gab. 644-IV)

 

PSDB

Bonifácio de Andrada MG (Gab. 235-IV)

Vicente Arruda CE (Gab. 603-IV)

Bosco Costa SE (Gab. 722-IV)

2 vagas

Zenaldo Coutinho PA (Gab. 336-IV)

 

PP

Agnaldo Muniz RO (Gab. 833-IV)

Antonio Cruz MS (Gab. 368-III)

Darci Coelho TO (Gab. 309-IV)

Ricardo Barros PR (Gab. 412-IV)

Professor Irapuan Teixeira SP (Gab. 513-IV)

1 vaga

PTB

Jefferson Campos SP (Gab. 341-IV)

Edna Macedo SP (Gab. 816-IV)

Paes Landim PI (Gab. 648-IV)

Luiz Antonio Fleury SP (Gab. 945-IV)

Vicente Cascione SP (Gab. 940-IV)

1 vaga

PL

Inaldo Leitão PB (Gab. 605-IV)

Carlos Nader RJ (Gab. 533-IV)

(Deputado do PDT ocupa a vaga)

(Deputado do PSB ocupa a vaga)

(Deputado do PSB ocupa a vaga)

(Deputado do Bloco PFL, PRONA ocupa a vaga)

PPS

Nelson Proença RS (Gab. 804-IV)

Rogério Teófilo AL (Gab. 416-IV)

PSB

João Paulo Gomes da Silva MG (Gab. 933-IV) - vaga do PL

Carlos Mota MG (Gab. 739-IV) - vaga do PL

Sandra Rosado RN (Gab. 650-IV)

1 vaga

PDT

Ademir Camilo MG (Gab. 744-IV) - vaga do PL

Alceu Collares RS (Gab. 807-IV)

Severiano Alves BA (Gab. 738-IV)

 

PC do B

Jamil Murad SP (Gab. 437-IV)

1 vaga

PV

Marcelo Ortiz SP (Gab. 931-IV)

Sarney Filho MA (Gab. 202-IV)

PSOL

 

João Alfredo CE (Gab. 566-III) - vaga do PT

 

Secretário(a): Maria Terezinha Donati

Local: Anexo II,Pavimento Superior, Sala 170-A

Telefones: 3216-6215/6232

FAX: 3216-622