Supremo
vota esta semana ações contra taxação de 11%
Das nove Adins em tramitação, duas já estão prontas
para serem analisadas
A cobrança da
contribuição de 11% sobre o vencimento dos servidores aposentados e
pensionistas que excederem R$ 1.440 deverá ser definida ainda esta semana pelo
Supremo Tribunal Federal (STF).
Das nove Ações Diretas de Inconstitucionalidade (Adin) atualmente tramitando no
STF, duas já foram analisadas e relatadas pela ministra Ellen Gracie e já estão
na pauta de julgamento do Tribunal – o que deve acontecer amanhã, em sessão
ordinária, ou na quinta-feira, em sessão extraordinária.
As duas Adins questionam a constitucionalidade da reforma da Previdência, que
criou a taxação dos servidores inativos do serviço público. A Adin nº 3105,
ajuizada pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) em
dezembro de 2003, e a Adin nº 3128, da Associação Nacional dos Procuradores da
República (ANPR), que chegou ao Supremo em fevereiro de 2004, receberam parecer
favorável da Procuradoria-Geral da República, apontando a inconstitucionalidade
da contribuição.
Para o presidente do Movimento dos Servidores Públicos Aposentados e
Pensionistas (Mosap), Edison Guilherme Haubert, a inconstitucionalidade da
matéria é clara: "Nós entendemos que a emenda retira direitos individuais
já conquistados, o que é proibido pelo artigo 5º da Constituição Federal (que
trata sobre direitos adquiridos). Eles só poderiam mudar a lei com uma nova
Constituinte (reforma da Constituição prevista em lei)", explicou.
Edison Haubert disse ainda que confia que o Supremo votará favoravelmente à
Adin proposta pela associação para eliminar a contribuição de 11% sobre o
vencimento dos aposentados e pensionistas. "Se não for assim, poderemos
rasgar a Constituição. Ninguém descumpriu a lei ao se aposentar. Portanto, não
dá para jogar no lixo o direito líquido e certo de milhares de pessoas para que
o governo faça caixa", criticou, referindo-se à suposta economia anual de
R$ 1,4 bilhão nos cofres públicos.
Embora tenha sido promulgada em dezembro do ano passado, alguns pontos da
reforma da Previdência continuam sendo negociados na chamada PEC Paralela, que
está ainda tramitando na Câmara dos Deputados.
Entre as propostas, está aumentar para R$ 2.400 a isenção da contribuição
previdenciária para servidores inativos ou pensionistas portadores de doenças
incapacitadas para o trabalho.