|
Os jornais de hoje(14.05.2009) noticiam
as medidas econômicas de ontem, no sentido de reduzir a tributação sobre as
aplicações em títulos da dívida pública (aprofundando grande injustiça
tributária com os trabalhadores) e tributar a poupança. Tais medidas visam manter
a rentabilidade dos títulos públicos, permitindo, assim, que estes
continuem atrativos aos investidores. Garante-se ao governo, desta
forma, as dezenas de bilhões de reais mensais necessárias ao
pagamento da dívida que está vencendo. (ver
nota da Auditoria Cidadã da Dívida) Neste sentido, o Jornal do
Brasil traz importante artigo de Paulo Passarinho, mostrando que o verdadeiro
problema do país - que levou às medidas econômicas de ontem – é o endividamento
público. Caso o governo realmente quisesse fomentar a economia, não estaria
querendo manter os investidores nas aplicações de títulos públicos, que não
geram empregos, não movimentam a economia e não financiam investimentos
produtivos. Na realidade, o que motivou o governo a editar tais mudanças foi a
opção por garantir a qualquer custo a rolagem da dívida que representa, cada
vez mais, um fator impeditivo do desenvolvimento nacional. Os Jornais Correio
Braziliense e Jornal do Brasil também mostram os verdadeiros motivos das
medidas, confirmando os comentários das edições anteriores desta seção: o que o
governo preserva é o pagamento da dívida pública e a cobrança de altas taxas de
administração pelos bancos, nos Fundos de Investimento. O Jornal O Globo comenta
sobre a proposta dos secretários de finanças estaduais para a renegociação das
dívidas com a União, e a provável negativa do governo federal. Importante
ressaltar que, finalmente, foi reconhecido por todos os secretários de finanças
dos estados que as taxas de juros destas dívidas são altas demais. Já o Jornal de Brasília
mostra o caso do Hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói (vinculado à
Universidade Federal Fluminense), onde a superlotação ocasionou um foco de
superbactérias, obrigando ao fechamento da emergência. Há problemas de
falta de pessoal e de leitos, ou seja, mais uma conseqüência direta do
endividamento público. O Jornal Correio
Braziliense noticia o adiamento da votação, pelos deputados e senadores, do
veto do Presidente Lula ao reajuste de 16,67% aos aposentados, concedido pelo Congresso em 2006. Como resultado do veto, o reajuste foi de apenas 5%. Ontem, o Ministro da Previdência afirmou que a
concessão deste reajuste ocasionaria um “rombo” de R$ 7 bilhões na Previdência Social, e assim o
governo conseguiu adiar a votação, o que na prática mantém o veto. Neste tema,
cabe ressaltar que a Previdência está inserida na Seguridade Social, que
apresentou superávit de mais de R$ 50 bilhões em 2008. A verdadeira razão pela
qual o governo não concede tal reajuste é a contínua destinação dos recursos da Seguridade (por meio da
Desvinculação das Receitas da União) para o cumprimento das metas de superávit
primário, ou seja, a reserva de recursos para o pagamento da dívida. Outro revés à Seguridade
Social foi noticiado pela Agência Câmara, que divulga que a votação da
Reforma Tributária pelos deputados foi marcada para o mês que vem. Esta Reforma
significa grande ameaça às fontes de recursos da Seguridade Social, conforme artigo
do Boletim Auditoria Cidadã nº 19. Uma
falsa questão Autor(es):
Paulo Passarinho Jornal
do Brasil - 14/05/2009 Com a mudança divulgada ontem para a poupança, o
governo perdeu mais uma oportunidade de enfrentar o principal problema
macroeconômico do país, que é o brutal e permanente processo de endividamento
público. O alegado problema decorrente da redução da taxa básica de juros, a
Selic e seus impactos sobre o processo de rolagem da dívida mobiliária é uma
falsa questão. Caso a política econômica servisse aos interesses da geração de
empregos, do crescimento econômico e do controle inflacionário,
independentemente das oscilações da conjuntura internacional, o caminho deveria
ser outro. Deveríamos restabelecer, no país, rígidos controles
sobre os fluxos cambiais, chegando ao limite da adoção da centralização
cambial, caso houvesse necessidade. Ao mesmo tempo, a taxa Selic deveria ser abandonada
enquanto indexador de boa parte dos títulos públicos, com o fim das chamadas
Letras Financeiras do Tesouro (LFTs). Com medidas dessa natureza, poderíamos
seguramente reduzir a taxa básica de juros e o chamado superávit primário.
Medidas como essa permitiriam ao governo um aumento de sua margem de manobra
para uma reconfiguração do Orçamento público federal e a adoção de medidas mais
consistentes para a preservação do crescimento econômico e da geração de
empregos. Os motivos da
alteração nas regras
Autor(es): Edna
Simão
Correio
Braziliense - 14/05/2009
Poupança era obstáculo ao corte nos juros porque
investidor poderia sair da renda fixa e dificultar o financiamento da dívida
pública O governo federal decidiu tributar a remuneração da
poupança para evitar especulação dos grandes investidores na caderneta devido à
rentabilidade mais atrativa do que outras aplicações financeiras. Isso poderia
causar dificuldades para financiamento da dívida pública e, até mesmo, tornar o
crédito ainda mais escasso no país. Na avaliação do presidente do Banco
Central, Henrique Meirelles, a migração dos grandes provocaria desequilíbrio no
mercado. Pela regra da caderneta de poupança, 65% dos depósitos,
obrigatoriamente, devem ser investimentos em habitação e o dinheiro que não é
aplicado deve ficar depositado no Banco Central. Considerando que não haja
tanta demanda por crédito imobiliário, poderia ficar muito dinheiro parado nas
mãos da autoridade monetária.“Poderia faltar crédito”, ressaltou Meirelles. Desde o início do ano, a equipe técnica do
Ministério da Fazenda vem sendo pressionada pelo BC a adotar medidas em relação
à remuneração fixa da caderneta . Apesar do discurso do governo, o problema, na
avaliação de economistas, vai continuar. Isso porque a medida necessária era
alterar a rentabilidade da poupança, que atualmente é fixa em 6% ao ano mais
Taxa Referencial (TR). Pelo menos por enquanto, Mantega afirmou que não haverá
mudanças nessa base de cálculo. “Para a poupança acima de R$ 50 mil, vamos
propor ao Congresso uma taxação progressiva para desencorajar que investidores
de outras aplicações venham para a poupança”, afirmou. A tributação da poupança vai variar conforme a
Selic, segundo o secretário de Reformas Econômico-Fiscal da Fazenda, Bernard
Appy. Ou seja, se taxa estiver entre 10% e 10,50% ao ano, será cobrado imposto
apenas em 20% da rentabilidade. Já se a taxa básica ficar inferior a 7,25% ao
ano, o que não está previsto para o curto prazo, o retorno do investidor terá
tributação integral. “Em 2009, não acontece nada. Todos continuam com o
mesmo rendimento. Tributação só começa no ano que vem e o investidor tem tempo
para pensar no que vai fazer”, ressaltou o ministro. Segundo ele, com a redução
dos juros, os investidores precisarão aprender a conviver com retorno menor.
Mesmo com as alterações, ele afirmou que a poupança continuará sendo um boa
opção. Altas taxas de
bancos ao largo da discussão
Autor(es):
Gabriel Costa
Jornal do
Brasil - 14/05/2009
Especialistas aprovaram com ressalvas a decisão do
governo de tributar contas de poupança com saldo superior a R$ 50 mil, a partir
de 2010. Entre as questões que geram discussão estão o possível caráter
temporário da medida e a crítica de que o verdadeiro problema relativo à
atratividade dos fundos de investimento estaria nas altas taxas de
administração cobradas pelos bancos, e não na redução da taxa Selic. – Uma taxa de administração de 4% não é justificável
porque não há risco na operação. Se nada fosse feito, os fundos perderiam a
rotatividade, mas o problema não está resolvido. A forma adotada é paliativa,
transitória – diz o professor Fernando Nogueira da Costa, da Universidade de
Campinas (Unicamp). Segundo o economista, que foi vice-presidente de
Finanças e Mercado de Capitais da Caixa Econômica Federal, a prioridade é
permitir que a Selic chegue a um patamar compatível com o resto do mundo, mas o
governo precisa cobrar uma contrapartida dos bancos, na forma de menores taxas
de administração voluntárias. Se isso não ocorrer, sugere, uma alternativa
seria o estabelecimento de um teto para as instituições. Para a professora de finanças Myriam Lund, da
Fundação Getulio Vargas (FGV), no entanto, a medida trará, por si só, a redução
das taxas dos bancos, por meio da concorrência. – Um ponto positivo dessa situação toda é que as
pessoas acabam se educando financeiramente. Os clientes vão começar a perguntar
a taxa de administração e a redução vai acontecer naturalmente – ressalta a
especialista. Recomendações Na situação atual, a professora recomenda a quem tem
dinheiro na poupança não tomar nenhuma atitude imediata, e aguardar possíveis
novas informações do governo. Já aqueles com investimentos em bancos que cobram
acima de 2% de taxa de administração, segundo Myriam, devem considerar migrar
para a poupança ou, no caso de uma aplicação acima de R$ 50 mil, para um
Certificado de Depósito Bancário (CDB). Nesse caso, o consumidor deve negociar
um recebimento acima de 90% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). O coordenador do Grupo de Análises e Projeções (GAP)
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Roberto Messenberg,
considera que a abordagem do governo foi uma resposta adequada à discussão
entre mexer ou não na remuneração da poupança. – Agora há espaço para reduzir a Selic sem que a
questão da remuneração seja impeditiva – diz Messenberg. O técnico do Ipea avalia que a questão da taxa de
administração dos bancos independe da baixa da Selic. Segundo Messenberg, esse
é um outro problema da economia brasileira, que, nesse momento, foi contornado. A Associação Nacional dos Bancos de Investimentos
(Anbid) disse, em comunicado à imprensa, que as mudanças são um primeiro passo
para adequar o mercado financeiro aos novos níveis de taxas de juros. "Esse é mais um movimento na tentativa de
remover mecanismos criados em um contexto de inflação alta, no qual uma
rentabilidade nominal de 6% era considerada piso de mercado", diz a nota
da Anbid. Já o economista José Carlos de Assis, professor e
presidente do Instituto Desemprego Zero, acredita que a própria discussão sobre
a questão da poupança e fundos de investimento está mal enfocada. – Dentro da discussão geral, o que está distorcido é
o uso da Selic como indexador da dívida pública – diz Assis. Fazenda refuta
ressarcir estados por perdas
Autor(es):
Regina Alvarez
O Globo -
14/05/2009
Com os R$ 980 milhões em impostos pagos a menos pela
Petrobras de janeiro a março, repasse da Cide caiu 90% O Ministério da Fazenda disse não, ontem, ao pleito
dos secretários estaduais de Fazenda, que reivindicam o ressarcimento das
perdas dos estados e municípios decorrentes de compensações feitas pela
Petrobras no recolhimento da Cide (imposto sobre combustíveis). No primeiro trimestre,
a Petrobras deixou de recolher R$ 980 milhões desse imposto, compensando
créditos de Imposto de Renda e CSLL, o que resultou na queda de 90% dos
repasses da Cide aos entes da federação. Isso foi consequencia de um artifício contábil usado
em 2008 pela Petrobras, que mudou de regime de cálculo de imposto e abateu R$
4,3 bilhões do pagamento de Cide e PIS/Cofins. Os secretários se reuniram ontem em Brasília, no
Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), e apresentaram ao
secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, uma proposta de
ressarcimento das perdas com a Cide. Pelo relato dos secretários, Machado foi
categórico ao afirmar que, enquanto não terminar a discussão da legalidade
dessas compensações, travada entre Receita Federal e Petrobras, o governo não
repassará a parcela da Cide reivindicada pelos estados. - Em nível técnico, não acredito que ainda possa
haver um desfecho favorável. O assunto agora passa para a esfera política -
disse o secretário de Fazenda de Minas Gerais, Simão Cirineu. No dia anterior, o governador de Minas, Aécio Neves,
afirmara que, se não fosse encontrada uma solução técnica, os governadores
poderiam recorrer à Justiça para recuperar as perdas com a Cide, estimadas em
R$241 milhões entre janeiro e março. Secretários criticam regras de rolagem de dívida Os secretários lembraram que o próprio presidente da
Petrobras, José Sergio Gabrielli, dissera que os estados e municípios não
seriam afetados pelas compensações feitas pela estatal. Mas, pelo entendimento
do Ministério da Fazenda, o rateio da Cide deve ser feito com base no valor
arrecadado. Gabrielli disse que seria com base no imposto devido e foi
desmentido por técnicos da Fazenda. Os secretários também apresentaram a Machado
proposta discutida na reunião do Confaz de alteração nas regras de rolagem das
dívidas dos estados. Eles reclamam dos juros fixados nos contratos de rolagem e
do indexador das dívidas, que é o IGP-DI. A Fazenda ficou de avaliar a
viabilidade jurídica das mudanças, sem dar grande esperança aos secretários. O líder da minoria na Câmara, André de Paula
(DEM-PE), protocola hoje representação no Tribunal de Contas da União pedindo
que o órgão mande a Petrobras pagar corretamente os tributos à Receita e que a
União faça os repasses devidos a estados e municípios. Hospital
federal suspende atendimento na emergência por causa de foco de superbactérias
Jornal de
Brasília - 14/05/2009
Um foco de bactérias multirresistentes no Hospital
Universitário Antônio Pedro, em Niterói, provocou hoje (13) a suspensão do
atendimento de pacientes no serviço de emergência da unidade. Segundo o diretor
médico do hospital, Haberlandh Sodré, a situação foi causada pela superlotação
no Antônio Pedro, vinculado à Universidade Federal Fluminense (UFF). Sodré disse que a superlotação e a falta de pessoal
na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) forçaram o hospital a alocar, na
emergência, cinco pacientes que deveriam estar na UTI. A mistura dos doentes de
UTI com os da emergência teria proporcionado o surgimento do foco de bactérias. “São pacientes com procedimentos invasivos e que
necessitariam estar internados na UTI. Como não há leitos na UTI suficientes
para todos e como há falta de pessoal para atender aos pacientes, mais a
superlotação [da emergência] com pacientes deste tipo, provocam a proliferação
bacteriana”, afirmou. Segundo Sodré, há hoje na emergência 40 pessoas,
incluindo aquelas que deveriam estar na UTI. Agora, depois de suspender novos
atendimentos no setor, o hospital espera poder transferir, para as demais
unidades de saúde, os pacientes que estão ali internados. “Vamos tentar evacuar
o setor e fazer algumas adequações de infraestrutura.” Retirada da
pauta provoca protestos
Autor(es):
Izabelle Torres
Correio
Braziliense - 14/05/2009
Carlos Moura/CB/D.A Press Paim tentou acalmar os ânimos de aposentados e pensionistas, que aguardavam
votação do veto à emenda que prevê reajuste
mínimo O governo conseguiu enquadrar sua base e retirou da
pauta do Congresso a votação de vetos presidenciais. O mais polêmico era em
relação a uma emenda que estendia aos benefícios de aposentados e pensionistas o aumento
percentual de 16,67% dado ao salário mínimo em 2006. Para evitar a votação da
matéria e anular a possibilidade de aprovação do reajuste, o Planalto montou na última
terça-feira uma verdadeira ofensiva. Durante a reunião da coordenação política, os
líderes partidários ouviram lamentos e argumentos de integrantes do Executivo
sobre a impossibilidade financeira de aumentar os benefícios. Receberam do
presidente Lula o pedido para que trabalhassem contra a proposta, e do ministro
da Previdência, José Pimentel, o argumento de que o reajuste para os beneficiários do INSS
resultaria em um rombo previdenciário superior a R$ 7 bilhões. Depois da ladainha, a base fez a lição de casa.
Capitaneados pelo vice-líder do governo no Congresso, deputado Gilmar Machado
(PT-MG), os parlamentares aprovaram a retirada do veto da pauta e ainda adiaram
a votação de outros 14 vetos sobre os quais não havia consenso. “Isso é o
ideal. Votar o que é consensual e ganhar tempo para discutir os outros”,
comemorava o líder do PT, Cândido Vacarezza (SP). A oposição, no entanto esperneou. Tentou marcar uma
data para a apreciação dos vetos restantes, mas não obteve sucesso. “Isso é uma
manobra clara do governo, que está com medo de que os vetos sejam derrubados. É
um absurdo que o Congresso concorde com isso”, reclamou o vice-líder do DEM,
José Carlos Aleluia (BA). Apesar da resistência de alguns governistas, o
senador Paulo Paim (PT-RS) entrou na confusão para tentar acalmar os ânimos.
Prometeu pressionar o presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP) para
marcar uma nova sessão conjunta para 26 de maio. Não deve conseguir. A votação de ontem significou pouco em relação ao
número de pendências na votação de vetos presidenciais. Ao apreciar 16 deles,
ainda faltam 1.142 vetos na fila de votação. Agência Câmara
Pauta -
14/05/2009 13h09
Temer marca
votação da reforma tributária para o mês que vem
Presidente também marca reunião de líderes para a
próxima quinta-feira para discutir votação da reforma política O presidente da Câmara, Michel Temer, marcou a
votação da reforma tributária para o início do mês que vem, durante reunião com
os líderes partidários nesta manhã. O relator da proposta, deputado Sandro
Mabel (GO), que é líder do PR, criticou a vinculação entre as reformas
tributária e política - há deputados que condicionam a votação de uma à
aprovação da outra - e foi incisivo ao cobrar apoio das lideranças ao prazo:
"Vamos ver quem tem palavra, porque um tema não tem nada a ver com o
outro", declarou. Temer marcou uma reunião de líderes para a próxima
quinta-feira (21) para discutir exclusivamente a reforma política. Segundo o
líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), alguns temas da reforma
(como a lista preordenada de candidatos e o financiamento público de campanha)
podem ser votados até o fim de maio. Essa possibilidade, no entanto, não tem o apoio de
alguns partidos, que são contra especialmente a lista fechada. "A
aprovação da lista fechada será o fim da democracia, porque o instrumento ajuda
só quem tem medo de eleição, as oligarquias partidárias. A renovação da Câmara,
que atualmente é de 50%, vai cair para uns 15%, porque os atuais donos das
legendas vão encabeçar a lista", declarou o líder Sandro Mabel. Ele sugere
que a reforma política comece com a fidelidade partidária e cita outros
partidos com a mesma opinião - PTB, PP e PSB. Já o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), que foi
relator da reforma política na comissão especial, considera
"fundamental" as votações começarem pela lista fechada, por acreditar
que ela é estrutural na proposta geral. "O financiamento público só faz
sentido se houver a lista fechada, pois o dinheiro será destinado aos partidos,
que se responsabilizariam pelos candidatos". Caiado se disse contrário à possibilidade de
flexibilizar a lista, conforme defende o PT. Segundo o deputado de Goiás, essa
modalidade "misturaria" recursos públicos com privados e não coibiria
o caixa dois. "A flexibilização dificultaria o controle dos gastos feito
pela justiça eleitoral, porque o candidato poderia receber recursos privados de
maneira irregular para melhorar sua posição na lista. No caso da lista fechada,
o candidato só poderia gastar aquilo que fosse destinado pelo partido e não
teria como extrapolar isso, porque os sinais de caixa dois ficariam evidentes e
a lista inteira do partido seria cassada", declarou. O líder do PT, Cândido Vaccarezza (SP), também
defendeu a ordem de votação sugerida por Temer e acrescentou que os efeitos da
reforma só valeriam a partir de 2014. "A democracia pressupõe o debate, e
seu tempo é o tempo das discussões, do convencimento e da decisão", disse
ao ser questionado se a aprovação da reforma não estaria em um ritmo muito
lento. Notícias diárias comentadas sobre a dívida - 13.05.2009
O Jornal O Globo mostra
que, para manter a rolagem da dívida, o governo deve reduzir de 22,5% para 15%
o Imposto de Renda máximo sobre os ganhos com a dívida interna. Conforme
comentado na edição
de 8/5 desta seção, isto representaria mais uma grande injustiça fiscal no
país, aprofundando os privilégios aos rentistas, enquanto os assalariados pagam
até 27,5% de Imposto de Renda. Este fato é criticado pelo
articulista Élio Gaspari, em O Globo, segundo o qual “o governo quer subsidiar
os ganhos de rentistas que se inquietam quando o rendimento de seus papéis nos
fundos cai abaixo de 0,7% ao mês.” O Jornal de Brasília
divulga que o governo federal liberará R$ 1 bilhão para os municípios, que
sofrem com a queda de arrecadação. Neste tema, cabe ressaltar que as perdas dos
municípios estão estimadas em R$ 8 bilhões em 2009. Mais uma vez, a dívida
pública impede que os problemas financeiros dos entes federados sejam
resolvidos. O Jornal Folha de São Paulo
mostra que os bancos não reduziram seus juros aos clientes, após a pequena
queda na taxa Selic (de 11,25% para 10,25% ao ano). As pessoas físicas
continuam pagando 7,33% ao mês em média pelos empréstimos (o que significa 133%
ao ano), enquanto as pessoas jurídicas pagam 4,21% ao mês, ou 64% ao ano. Cabe
ressaltar que o endividamento público é um fator que leva os bancos a
estabelecer estas taxas absurdas, pois estes já obtêm retornos garantidos
destinando seus recursos para a compra de títulos da dívida pública. Desta
forma, o financiamento ao setor produtivo não é priorizado pelas instituições
financeiras, que somente aceitam emprestar a juros altíssimos. Alíquota máxima
de IR em fundos de investimento cairá de 22,5% para 15%
Autor(es):
Martha Beck, Geralda Doca e Felipe Frisch
O Globo -
13/05/2009
Aplicação ficaria mais
atraente. Grandes depósitos na poupança pagariam imposto Diante da forte resistência
política em torno de mudanças na poupança, está praticamente certo que o
governo vai optar por mexer na tributação de fundos de investimento, para torná-los
mais atraentes. A proposta classificada por um técnico como vencedora no
governo é reduzir as alíquotas do Imposto de Renda dos fundos de um teto de
22,5% para 15%. No caso da poupança, também seria instituída uma alíquota de
IR, mas apenas para grandes depósitos, acima de R$50 mil ou R$100 mil. Esse corte preservaria o
pequeno poupador: hoje, mais de 95% dos depósitos não ultrapassam R$20 mil. A
sugestão será apresentada hoje no encontro do Conselho Político, que reúne a
cúpula do governo e os 14 partidos da base aliada. A avaliação dentro da área
econômica é que a mudança na tributação não resolve o problema, mas dá ao
governo tempo para negociar no Congresso alterações mais profundas na
caderneta. Com as sucessivas quedas na taxa básica de juros (Selic), a poupança
- remunerada por Taxa Referencial (TR) mais 0,5% ao mês - está ficando cada vez
mais atraente, e o governo teme uma migração de fundos de investimento para
ela. - Seria melhor enfrentar o
problema com uma solução estrutural, mas está muito difícil - disse um técnico,
lembrando que a oposição tem falado até mesmo que o governo pensa em confisco. Uma das opções seria
alterar o cálculo da TR para mantê-la zerada, o que não exige aprovação do
Congresso. Outra opção - que enfrenta resistência - seria atrelar o rendimento
a um percentual da Selic, como 65%. Fundos de pensão estudam
rever metas atuariais Na área econômica, a
poupança é vista como um indicativo de piso para a Selic. Sem alterar a
remuneração, o Banco Central poderia interromper a queda dos juros. Segundo
técnicos, se o governo congelar a TR e reduzir a tributação dos fundos, a
Selic, hoje em 10,25% ao ano, cairia a 8,5%. A queda da Selic também
está fazendo com que os fundos de pensão - planos de previdência fechados para empresas
ou setores - comecem a estudar revisão de suas metas atuariais, referência para
sua rentabilidade. Boa parte dessas carteiras é composta por títulos públicos,
remunerados pela Selic, e por operações de renda fixa, que acompanham a taxa. Pelo último balanço da
Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Privada (Abrapp),
de janeiro, 65,3% do patrimônio de R$424 bilhões desses fundos está atrelado a
esse tipo de operação. E, segundo dados da Secretaria de Previdência
Complementar (SPC), 72,47% dos fundos, ou 259, têm como meta atuarial a taxa
máxima permitida pela lei, de 6% ao ano mais o INPC. A questão é que, com os
juros em queda, será cada vez mais difícil obter ganho real de 6%. Segundo José
de Souza Mendonça, presidente da Abrapp, muitas fundações já estão mexendo em
suas metas atuariais. Há rumores de que os dois maiores, Previ (dos
funcionários do Banco do Brasil) e Petros (da Petrobras), estariam estudando
reduzir metas. Ambos negam. Mas essa não é uma decisão
fácil, lembra Marcelo Mello, vice-presidente da SulAmérica Investimentos, que
tem 60 fundações como clientes de seus fundos: - O custo de mudar a meta
atuarial é muito alto, político e financeiramente. O custo político refere-se
à aprovação da mudança, no fundo e pela SPC. O financeiro refere-se ao fato de
muitos planos terem benefício definido. Ou seja, já se sabe o valor a ser pago
a cada participante. Para honrar esses benefícios, os fundos precisarão ter, já
hoje, uma reserva maior. E isso pode provocar déficit. O governo teme interferir
nos ganhos do pequeno poupador, ainda mais com as eleições presidenciais de
2010. Após reunir-se com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o presidente da
Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (o Paulinho), reforçou que não haverá
prejuízo: - O ministro disse que a
equipe econômica pode ser doida, mas que Lula não é. A ekipekonômica
quer subsidiar o rentista
Élio Gaspari - Élio Gaspari
O Globo - 13/05/2009
No papel de Mãe da Banca,
um pedaço da ekipekonômica quer desatar o nó do rendimento das cadernetas de
poupança do andar de baixo desonerando em 30% a carga tributária que incide
sobre os ganhos de quem aplica nos fundos de investimento do andar de cima.
Essa providência destina-se a preservar a ficção de que a economia brasileira
pode funcionar cevando uma classe de rentistas e uma banca oligopolizada. Os
fundos de investimento têm 10 milhões de cotistas (o que não significa que
sejam 10 milhões de pessoas). Nas cadernetas, 45 milhões de contas têm saldo
inferior a R$100. Para agradar à banca e dar conforto aos cotistas, arma-se uma
renúncia fiscal de pelo menos R$2 bilhões. O Banco Central advertiu
para o surgimento de problemas financeiros caso a Bolsa Copom (10,25% ao ano)
caia abaixo do rendimento das cadernetas, garantida por um indexador, a TR,
mais 6% de juros. Essa convergência, quando ocorrer, será um inevitável reflexo
de uma nova realidade, a de um país com juros de um dígito. Transformando um
indicador de saúde num problema, o governo quer subsidiar os ganhos de
rentistas que se inquietam quando o rendimento de seus papéis nos fundos cai
abaixo de 0,7% ao mês. A caderneta de poupança só
se tornará mais atraente para cotistas que puseram seu dinheiro em bancos que
cobram taxas de administração superiores a 1,5% ao ano. Os repórteres Toni
Sciarretta e Fabrício Vieira revelaram que, na média, no ano passado o mercado
cobrou 2,03% e ganhou R$17 bilhões (dois Bolsa Família). O "Tesouro
Direto", do Banco Central, paga a Selic e toma menos que a metade disso. A
taxa da banca foi de 1,9% em 2000 para 2,71% em 2006. A Caixa Econômica,
contudo, cobra 1,5% ao ano para administrar investimentos de R$5 mil a R$10 mil
por seis meses. A comparação dos
rendimentos da poupança com o dos fundos tornou-se motivo de alarme porque eles
se tornaram convergentes. Quando divergiram, sempre em benefício do andar de
cima, foram tratados como se fossem um código genético da sociedade brasileira.
O rendimento indexado das
cadernetas socorre o andar de baixo, mas deverá ser revisto, pois poderá se
transformar na trava que impede a queda dos juros do andar de cima. Isso pode
ser feito taxando-se o rendimento dos depósitos superiores a um teto, R$10 mil,
no palpite. Também se pode chegar a um
quadro em que o governo seja obrigado a arrostar uma medida impopular. A proposta saiu da cabeça
de Bernard Appy, secretário especial do ministro Guido Mantega. Ela recorre ao
velho truque da criação de dinheiro por meio da ilusão. O banco cobra 4% de
taxa de administração, mas o investidor não liga, porque a Bolsa Copom garante
sua renda. O governo, por seu lado, faz de conta que não vê que o problema está
na taxa do banco, não na Selic. Na noutra ponta, a
caderneta tem o seu rendimento indexado, o sujeito é levado a supor que essa
garantia é eterna e Nosso Guia faz de conta que inventou a poupança. Fingindo
que as taxas bancárias são razoáveis e que a indexação das cadernetas é uma
fatalidade política, os doutores pretendem criar mais uma ilusão, subsidiando o
rendimento dos investidores dos fundos por meio de um ataque à Bolsa da Viúva. Não é a irracionalidade
quem provoca a inflação, mas não há inflação sem ekipekonômicas dispostas a
usufruir os dividendos políticos da ilusão do dinheiro. MP de R$ 1
bilhão para os municípios sai de hoje para amanhã, segundo Paulo Bernardo
Jornal de
Brasília - 13/05/2009
Brasília - O Palácio do
Planalto deve mandar para o Congresso Nacional uma medida provisória com a
liberação de R$ 1 bilhão do Tesouro Nacional para o Fundo de Participação dos
Municípios (FPM). A notícia foi dada pelo ministro do Planejamento, Paulo
Bernardo, durante audiência pública na Comissão Mista de Orçamento do Congresso
para discutir a proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o ano
que vem. Depois da audiência, ele
admitiu que a MP deve sair de hoje para amanhã e tem o objetivo de compensar a
queda de transferências de recursos da União para as prefeituras, causada pela
redução de arrecadação de tributos federais, em decorrência da crise financeira
internacional. Projeto de lei para promover o repasse foi aprovado pela Câmara
dos Deputados na semana passada. Bernardo desautorizou
especulações de que o governo analisa a possibilidade de criar novos impostos
para compensar a perda de arrecadação. Ele disse que, apesar das
estimativas, a arrecadação anual deve cair cerca de R$ 50 bilhões, em
relação à projeção da LDO. Ele disse que houve redução
este ano de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e do Imposto sobre Produtos
Industriais (IPI) para automóveis e material de construção como forma de
revigorar a economia. A ideia, segundo ele, é compensar a perda de arrecadação
com o aumento da atividade econômica, e "aparentemente essa política está
dando certo". O ministro ressaltou também
que ainda não existe definição sobre novas regras para funcionamento das
cadernetas de poupança ou dos fundos de investimento de varejo. Ele descartou
que a equipe econômica esteja pensando em reduzir a rentabilidade da poupança,
que é de 0,5% ao mês mais taxa referencial (TR) e isenta do Imposto de Renda.
Bernardo enfatizou que “a poupança é um instrumento sagrado de proteção da
população”. Uma decisão nesse sentido
não deve demorar, de acordo com o ministro, de modo a evitar especulações.
"O governo está fazendo com calma porque esta não é uma decisão para se
tomar da noite para o dia", afirmou. Juros recuam,
mas bancos não repassam custo menor a cliente
Juros caem bem
menos que a Selic, diz pesquisa
Autor(es):
DENYSE GODOY
Folha de S.
Paulo - 13/05/2009
Pesquisa da Anefac
(associação de executivos de finanças) mostra que o juro dos empréstimos segue
em queda. Em abril, a taxa para pessoa física foi de 7,33%, ante 7,61% em
novembro. Os bancos, porém, não
repassam ao cliente a queda na taxa básica do Banco Central, de 9,5 pontos
desde 2005. O juro para empresas recuou apenas 4,2. Os bancos demoram muito e
não repassam totalmente a redução da taxa básica de juros da economia aos seus
clientes, segundo levantamento feito pela Anefac (Associação Nacional de
Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade). De setembro de 2005 a abril
de 2009, enquanto o Banco Central cortou a Selic em 9,5 pontos percentuais (de
19,75% para 10,25% ao ano), a taxa para pessoas físicas teve queda de 7,42
pontos e a aplicada às pessoas jurídicas caiu 4,2 pontos. "O custo do dinheiro
para as instituições financeiras, baixou com consistência e o cliente não se
beneficiou disso", diz Andrew Frank Storfer, diretor de economia, banking
e finanças da Anefac. É difícil explicar a demora
dos bancos em cortar os juros, afirma o executivo. "A lei da oferta e da
demanda é um dos motivos pelos quais esse fenômeno acontece. Por exemplo,
quando o crédito fora do país secou, no ápice da crise, as grandes companhias
que se financiavam no exterior passaram a buscar dinheiro internamente, o que
aumentou a demanda geral. E, mesmo antes das turbulências, quando o cenário era
tranquilo, financiamentos com as taxas altas eram absorvidos. Além disso,
existe o excessivo conservadorismo dos bancos nacionais." No curto prazo também se
observa essa lentidão. Após atingirem o pico entre
novembro do ano passado e janeiro último, os juros cobrados em empréstimos a
consumidores e empresas exibem uma firme trajetória de queda há três meses. A
taxa média de financiamentos para pessoas físicas chegou a 7,33% no mês
passado, ante 7,61% registrados em novembro, e a relativa às pessoas jurídicas
ficou em 4,21% em abril - eram 4,47% cinco meses antes. "Está caindo, mas está
caindo pouco", afirma Storfer. "Desde dezembro, a Selic foi cortada
pelo BC em 3,5 pontos percentuais." Na opinião do diretor da Anefac, como
a expectativa de inflação para os próximos meses está diminuindo e a inadimplência,
embora tenha apresentado leve alta, ainda se encontra sob controle, os juros
para os clientes deveriam ser diminuídos com mais rapidez. "Especialmente
por causa dos riscos de a crise provocar uma forte desaceleração do
Brasil." Procurada, a Febraban
(Federação Brasileira de Bancos) não comentou os números. Notícias diárias comentadas sobre a dívida - 12.05.2009
O Jornal Correio
Braziliense destaca que o governo irá utilizar os reajustes concedidos aos servidores como trunfo eleitoral em 2010, na tentativa
de se diferenciar dos adversários e dos que defendem redução nos gastos com
pessoal. Ou seja: o governo estaria priorizando mais os gastos com os
servidores do que o governo anterior e seus aliados. Para comentarmos esta
questão, podemos analisar os dados do Ministério do Planejamento (Boletim de
Pessoal), disponível na página abaixo: http://www.servidor.gov.br/publicacao/boletim_estatistico/bol_estatistico_09/Bol154_Fev2009.pdf . Olhando-se a página 26
desta publicação, observamos que o governo FHC iniciou seu mandato em 1995
gastando 56,2% de sua Receita Corrente Líquida (RCL) com pessoal. Quando FHC
deixou o Planalto, em 2002, este percentual havia caído para 32,1%.
Contrariando a sua intenção de mostrar comprometimento com os servidores, o
governo Lula reduziu ainda mais este percentual, para 27,3% em 2005. Em 2008,
este percentual atingiu 30,5% da RCL, ou seja, valor este mais baixo que o
observado no pior ano de FHC. Se considerarmos o valor do gasto com pessoal
como percentual do Produto Interno Bruto, o governo Lula também perde de FHC. Em suma: o governo Lula
manteve e até aprofundou a política de FHC. E qual é esta política? A política
de priorizar os crescentes gastos com o endividamento. O Jornal Valor Econômico
mostra que os empréstimos de dólares do Banco Central (BC) às empresas
endividadas no exterior pode chegar a US$ 40 bilhões. Ou seja: mais uma prova
de que a dívida externa “privada” é paga, em última análise, pelo povo
brasileiro, uma vez que o Banco Central tem de fornecer os dólares às empresas
devedoras, a taxas de juros subsidiadas. Quando compra as reservas cambiais, o
BC paga com títulos da dívida interna, sobre os quais incide a elevadíssima
taxa Selic. A Folha de São Paulo traz
artigo de Jânio de Freitas, sobre o atraso no envio dos recursos às regiões
afetadas pelas enchentes. Segundo o articulista, isto ocorre pois “o princípio
básico do governo é gerir números elogiáveis na inflação e nos gastos sempre
criticados pelo poder econômico”. Neste tema, cabe ressaltar que os recursos
gastos no endividamento sempre estão disponíveis em tempo real, sendo que não
há limite nenhum para tal gasto, que pode ser financiado e refinanciado por
meio de emissão de novos títulos da dívida. Por fim, o Jornal O
Estado de São Paulo mostra que, para dispor de recursos em meio à queda de
arrecadação, o Estado de São Paulo elabora um amplo programa de privatizações,
incluindo estradas e aeroportos. Neste tema, cabe ressaltar que esta opção
de recorrer à privatização se deve à necessidade de se manter os altos
pagamentos da dívida com a União. Assim como exposto pela Auditoria Cidadã no
artigo “A
Dívida e as Privatizações”, mais uma vez, a dívida pública (cobrada pelo
governo federal, para garantir os recursos para o pagamento da dívida da União
com o setor financeiro) leva o setor público a privatizar. REAJUSTE DE SERVIDOR
VIRA ARMA PARA 2010
SERVIDOR VIRA
ARMA DE CAMPANHA
Autor(es):
Daniel Pereira
Correio
Braziliense - 12/05/2009
Lula defenderá reajustes
concedidos e novas contratações realizadas no setor público. Discurso faz parte
da estratégia governista para deixar em situação delicada a oposição, que
aposta no enxugamento do Estado -------------------------------------------------------------------------------- O governo usará o funcionalismo público como arma
para derrotar a oposição nas eleições presidenciais de 2010. A estratégia
começou a ser traçada ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os
ministros da chamada coordenação política em reunião no Centro Cultural Banco
do Brasil (CCBB). A ideia é defender os reajustes
salariais concedidos aos servidores públicos, além das contratações realizadas
nos últimos anos. E, assim, se contrapor à oposição, que acusa a gestão Lula de
ter inchado de forma desnecessária a máquina pública. “Queremos travar esse debate político com a oposição.
Se a oposição acha que o Estado tem de ser menor, que defenda isso
publicamente”, diz um dos ministros da coordenação política, formada, entre
outros, por Dilma Rousseff (Casa Civil), Paulo Bernardo (Planejamento),
Franklin Martins (Comunicação Social) e José Múcio Monteiro (Relações
Institucionais). “O problema do Brasil é que o Estado é pequeno e ineficiente
apesar das medidas que adotamos”, acrescenta. O roteiro esboçado no CCBB prevê
uma espécie de plebiscito. A população será lembrada pelo governo da
necessidade de escolher entre o “Estado mínimo” supostamente defendido por
PSDB, DEM e PPS e a tentativa do governo atual de reestruturar a administração
pública com novos funcionários e melhores vencimentos. “Vamos inaugurar 214
escolas técnicas e não contratar mais professores? Como vamos proteger as áreas
de preservação ambiental se não fortalecermos os órgãos ambientais?”, pergunta
o ministro, dando uma pitada do discurso a ser entoado na queda de braço
política. Economia A estratégia eleitoral só começou a ser definida
porque o presidente Lula determinou à equipe econômica a redução da meta de
superávit primário neste ano, o que abre a perspectiva de uma economia de R$ 40
bilhões com o pagamento de juros da dívida. Mantido o cenário atual, parte do
dinheiro será usado para pagar o reajuste
do funcionalismo. O acerto da conta era incerto durante o primeiro trimestre
deste ano, devido à queda de arrecadação provocada pela crise econômica. Ontem, o ministro Paulo Bernardo apresentou aos
colegas e ao presidente a prévia de um estudo que servirá de munição aos
governistas. O texto diz que há espaço técnico para o crescimento da máquina. O
Brasil, por exemplo, teria atualmente a melhor situação fiscal entre os países
que formam o chamado G-20. Além disso, teria menos funcionários públicos do que
seus colegas integrantes do mesmo grupo. “Realizamos concursos públicos em
áreas cruciais, como saúde e educação. Fizemos isso recuperando a capacidade de
investimento do Estado”, afirma o ministro. O plano de obrigar a oposição a advogar um “Estado
mínimo” se sustenta em dois precedentes ocorridos na disputa presidencial em
2006. Na época, Lula, então candidato à reeleição, provocou os tucanos a
defenderem as privatizações e a necessidade de um corte expressivo nos gastos
da União. Ciente de que tais temas eram impopulares, os oposicionistas fugiram
do embate. Crédito para
rolar dívidas pode chegar a US$ 40 bi
Valor Econômico
- 12/05/2009
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles,
admitiu ontem que os empréstimos com reservas internacionais para rolagem de
dívidas de empresas brasileiras no exterior podem alcançar até US$ 40 bilhões
este ano, mas que a demanda estaria diminuindo. Até agora, o Banco Central já usou US$ 23 bilhões
das reservas para a rolagem e até o fim do ano a soma poderia superar o
potencial de US$ 36 bilhões inicialmente previsto pela autoridade monetária. Em todo caso, Henrique Meirelles reiterou que a
rolagem dos próprios bancos comerciais internacionais está aumentando, e chegou
a 60% do total recentemente. Em fevereiro, Meirelles afirmou que o Banco Central
estava preparado para um período de até três anos de crise, nos quais
emprestaria para a rolagem das dívidas, por causa da restrição de capitais. Mas ele acha que agora não será mais necessário
tanto tempo. O Instituto de Finanças Internacionais, que representa os maiores
bancos, continua achando, porém, que a necessidade de financiamento dos
emergentes em geral, sobretudo por parte das empresas, continuará bastante
elevado e será um desafio nos próximos anos. (AM) O socorro falso
Jânio de
Freitas - Jânio de Freitas
Folha de S.
Paulo - 12/05/2009
-------------------------------------------------------------------------------- Emergência, como a que ocorre no Norte e no
Nordeste, não depende de burocracia, e sim de interesse humano -------------------------------------------------------------------------------- É IMPOSSÍVEL admitir, por muito pouco que seja, a
responsabilidade atribuída por Lula e por Geddel Vieira Lima ao excesso de
exigências burocráticas, como explicação para o abandono trágico em que estão
as populações do Norte e do Nordeste submersos. A explicação é simplesmente
inverdadeira. E não por desinformação, equívoco ou outro motivo de boa-fé. Presidente da República que subverte com uma medida
provisória a legislação protetora dos clientes de telefonia e similares, para
permitir um negócio que já partiu da certeza de um ato presidencial
favorecendo-o contra a legislação, não tem o amparo administrativo nem o
direito moral de dizer que o problema das enchentes é por "falta de
projetos" dos prefeitos e governadores. Para dizer isso é que Lula foi dar
uma olhada, bem por alto, nas enchentes. Mas se trata de emergência, emergência para a vida
já de cerca de 1 milhão de pessoas às quais o bem que as águas ainda lhes
deixam é só a vida mesma. E emergência não depende de projeto. Não depende de
burocracia. Depende de interesse humano, de responsabilidade administrativa, de
capacidade e disposição de agir -e de decência pessoal. As continhas feitas no atual governo seguem o mesmo
princípio e a mesma aplicação prática das feitas no governo anterior, em
situações semelhantes à atual. O dinheiro para a emergência é destinado nas
formalidades das aparências, mas o repasse é retido sob todos os pretextos
possíveis, com preferência pelos mais ordinários. Porque o princípio básico do
governo é gerir números elogiáveis na inflação e nos gastos sempre criticados
pelo poder econômico. O princípio orientador do governo não são os governados,
não são as emergências e urgências do país. Para isso, um Bolsa Família aqui,
um Fome Zero de nota zero ali, dão matéria-prima bastante para as metas
grandiosas da propaganda. Em editorial no sábado ("Lentidão e
improviso"), a Folha informava que só agora a governadora Wilma Faria, do
Rio Grande do Norte, recebeu a verba para os atingidos pelas enchentes de 2008.
Wilma Faria tem sorte. De norte a sul, os desgraçados por calamidades no ano
passado ainda esperam a maior parte ou todo o repasse que lhes foi então
destinado nas aparências governamentais. Egresso de última hora dos indiciados pela CPI dos
Anões do Orçamento, por camaradagem baiana do à época deputado Luiz Eduardo
Magalhães, o hoje ministro da Integração (ir)responsável pelo socorro ao Norte
e ao Nordeste, Geddel Vieira Lima, lança mão do seu patrimônio moral para
identificar os responsáveis parciais pela calamidade: são os que "assumem
o risco de viver em áreas impróprias". A este registro do editorial de
sábado, acrescento a minha concordância com o ministro. De fato, por que não
seguem o exemplo parlamentar ou ministerial de quem multiplica em valor e
dimensão, de preferência em fazendas, o seu patrimônio imobiliário? Era só
observarem o slogan deixado por Antonio Carlos Magalhães: "Geddel vai às
compras". Sempre. NOVAS
CONCESSÕES DE SP VÃO INCLUIR AEROPORTOS
PARA MANTER
RECEITA, SERRA PREPARA NOVO PACOTE DE CONCESSÃO DE ESTRADAS
Autor(es):
Silvia Amorim e Daniel Bramatti
O Estado de S.
Paulo - 12/05/2009
O governo paulista prepara um novo plano de
concessões para reforçar o caixa de investimentos do Estado em 2010. A intenção
é ampliar o número de estradas sob a administração da iniciativa privada e,
pela primeira vez, incluir aeroportos estaduais nesse pacote. A terceira etapa de privatizações em São Paulo foi
confirmada ontem pelo governador José Serra (PSDB). "Estamos engatilhando
tudo. Quando tiver os nomes (das estradas e aeroportos), eu dou", afirmou
Serra, após uma palestra para economistas na capital paulista. As novas concessões viriam garantir ao Estado mais
recursos para aplicar em setores estratégicos de infraestrutura. Serra tem
nessa área projetos que são vitrine da sua gestão, como a ampliação da rede de
metrô, a modernização da malha ferroviária e a recuperação das estradas
vicinais. Por ser a concessão um processo demorado, os recursos provenientes
dela estão sendo contabilizados apenas para 2010. Na semana passada, o governador admitiu que os
cofres estaduais já começaram a sentir os efeitos da crise econômica. A receita
estadual deste ano - de janeiro a abril - caiu mais do que o esperado (R$ 1,3
bilhão) e já é menor do que a do mesmo período de 2008. Diante disso, quanto
mais fontes de recursos melhor, sobretudo porque o projeto de Serra, um dos
nomes cotados no PSDB para disputar a Presidência da República, é ambicioso
para esses dois últimos anos de governo. Somente neste ano a administração pretende aplicar
cerca de R$ 20 bilhões em investimentos para um Orçamento de R$ 118,2 bilhões.
Para 2010, são previstos R$ 24 bilhões. O governador não quis dar detalhes sobre as futuras
concessões, nem informar quando seriam realizadas. O Estado apurou que, no
setor de rodovias, três casos são sendo estudados, todos na região do litoral:
as concessões da Rodovia dos Tamoios (SP-99), que liga o Vale do Paraíba a
Caraguatatuba; da Mogi-Bertioga (SP-98), de Mogi das Cruzes a Bertioga, e da
Oswaldo Cruz (SP-125), entre as cidades de Taubaté e Ubatuba. Há ainda rodovias
menores no interior, como a Euclides da Cunha (SP-320), na fronteira com Mato
Grosso do Sul. Em relação aos aeroportos, a discussão sobre a
concessão ainda está em fase inicial. O governo paulista administra, por meio
do Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo, 31 aeroportos no interior.
Os maiores, e, portanto, com maior potencial numa eventual concessão, são
Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, com movimentação de 97.509 e 65.479
passageiros no primeiro trimestre deste ano, respectivamente. Em janeiro, em entrevista à Agência Estado, o
secretário estadual dos Transportes, Mauro Arce, disse que a intenção do
governo era dividir os 31 aeroportos em cinco lotes ao ofertá-los à iniciativa
privada. "Temos notícias de que o governo está estudando
uma nova etapa de concessões, mas não sabemos se já definiram a lista. Sabemos
que há um debate interno sobre se adotar o modelo de concessão simples ou PPP
(Parceria Público-Privada)", diz o presidente da Associação Brasileira de
Concessões de Rodovias, Moacyr Duarte. Desde o ano passado, com a concessão do trecho oeste
do Rodoanel, o governo conseguiu para os cofres estaduais R$ 988 milhões -
parte dos R$ 2 bilhões que a concessionária pagará em dois anos pela exploração
da rodovia até 2038. Mais R$ 581 milhões foram arrecados com o pagamento
parcial da outorga de quatro lotes concedidos em 2008. Os dois processos de privatização feitos pelo Estado
até agora ficaram restritos a rodovias. O primeiro foi ainda no governo Mario
Covas e acertou as concessões do sistema Anchieta-Imigrantes e
Anhanguera-Bandeirantes, entre outros. A etapa seguinte foi implementada por
Serra, e envolveu trechos da Carvalho Pinto, da D. Pedro e da Marechal Rondon. Notícias diárias comentadas sobre a dívida - 11.05.2009
O
Jornal Gazeta Mercantil traz artigo sobre a nova linha de empréstimos do FMI
para os países em crise. Confirmando os comentários anteriores desta seção, o
jornal mostra que estes financiamentos somente são concedidos a países que já
implementaram e internalizaram as reformas impostas pelo Fundo. Ou seja: a
única diferença em relação aos empréstimos anteriores é o momento no qual são
implementadas as medidas do Fundo. Enquanto os financiamentos anteriores do FMI
obrigavam os países a implementarem simultaneamente tais políticas, a nova
linha de financiamento do Fundo é condicionada a que os países já tenham
implementado estas medidas. Ou seja: contrariamente ao discurso de muitos
governos (inclusive do Brasil), a nova linha do FMI é sim condicionada à
imposição de políticas econômicas neoliberais. O
Jornal Valor Econômico mostra estudo do Banco Central sobre as dívidas dos
estados e municípios com a União. Segundo o estudo, a partir da assunção destas
dívidas pela União, ao final dos anos 90, estes entes federados passaram a
realizar grandes superávits fiscais (ou seja, passaram a desviar boa parte dos
recursos das áreas sociais para o pagamento da dívida). Sobre este tema, cabe
ressaltar que, segundo dados do próprio Banco Central, os juros da dívida de
estados e municípios (cujo principal credor é a União) atingiram R$ 65 bilhões
em 2008. São recursos que poderiam estar sendo aplicados nas urgentes
necessidades dos entes federados, que sofrem com grave crise financeira, e
agora, grandes calamidades climáticas, como enchentes e secas. Cabe ressaltar
também que as dívidas dos entes federados possuem grandes ilegitimidades, tais
como as altas taxas de juros (definidas pelo governo federal) que fizeram o
endividamento explodir, mesmo antes de ser assumido pela União. Um
exemplo emblemático disto tudo é colocado no Jornal do Brasil, que mostra o
caso da cidade de Trizidela do Vale, no Maranhão, inteira debaixo dágua, como
consequência da não construção de uma barragem. O
Jornal O Globo mostra as altas taxas de administração cobradas pelos bancos,
dos investidores dos fundos de investimentos de títulos da dívida pública. Cabe
ressaltar que este é um dos reais motivos pelos quais os investidores podem fugir
destes fundos (que aplicam em títulos da dívida pública) e migrar para a
poupança. Para evitar uma ameaça à rolagem da dívida pública (prioridade nº 1
do governo), o governo cogita a possibilidade de reduzir o rendimento da
poupança. Ou
seja: ao invés do governo suspender o pagamento da dívida interna e
auditá-la, e obrigar os bancos a reduzirem suas taxas de
administração, o governo prefere reduzir o rendimento da poupança,
prejudicando os pequenos poupadores. Outra medida injusta em estudo pelo governo
para garantir a rolagem da dívida - sem ameaçar os ganhos dos banqueiros com as
enormes taxas de administração de seus fundos - é a redução do Imposto de Renda
dos ganhos com a dívida interna. Desta
forma, o governo garante a rolagem da dívida (mantendo os investidores nos
fundos de investimento, comprando títulos da dívida), e termina por atender aos
anseios dos banqueiros, que jamais iriam querer uma massa de recursos aplicados
na poupança, dos quais 65% têm de ser aplicados no setor produtivo (imobiliário). Crise fortalece
o FMI, que mantém exigências
Gazeta
Mercantil - 11/05/2009
-
Segundo informou o comunicado de 2 de abril de 2009, o grupo dos 20 principais
países ricos e emergentes, o G20, reunido em Londres, adotou um "programa
de US$ 1,1 trilhão" para alimentar um "plano global visando a
promover a recuperação econômica numa escala inédita na história".O
principal beneficiário da operação foi o Fundo Monetário Internacional (FMI),
cujos recursos para fornecimento de empréstimos foram multiplicados por três,
passando de US$ 250 bilhões para US$ 750 bilhões. O que ocorreu "em função
de um financiamento imediato, por parte dos membros, de US$ 250 bilhões, que
poderá aumentar para até US$ 500 bilhões".Além de uma nova alocação destinada
a apoiar os direitos especiais de saques, o G20 autorizou o Fundo a vender
parte de seu estoque de ouro, de modo que a instituição possa "fornecer
aos países mais pobres, no decorrer dos próximos dois a três anos, US$ 6
bilhões suplementares sob a forma de fundos facilmente acessíveis". Por
fim, o FMI poderá "contar com a possibilidade de captar empréstimos no
mercado em caso de necessidade", ao passo que, até então, dependia só dos
rendimentos dos empréstimos. Com isso, outorgaram à instituição todas as condições
para que possa levar uma nova vida. Esta será a sua terceira.Fundado em julho
de 1944, por ocasião da conferência de Bretton Woods, o FMI foi inicialmente o
avalista da estabilidade do sistema monetário internacional do pós-guerra.
Naquele momento, duas funções essenciais lhe foram atribuídas: garantir a
cooperação monetária de modo a impedir as desvalorizações competitivas e manter
a liquidez internacional, fornecendo empréstimos de fundos para os membros que
tivessem desequilíbrios temporários da balança de pagamentos. Mais de dois
terços dos empréstimos outorgados durante Bretton Woods foram para países
industrializados. Esse
sistema foi abolido em 15 de agosto de 1971, quando os EUA decretaram o fim da
convertibilidade do dólar em ouro e o FMI foi encarregado de vigiar a
observância de regras que eram quase inexistentes. Foi a crise do endividamento
do Terceiro Mundo, provocando a suspensão de pagamentos de dívidas por vários
países a partir de 1982, que fez com que ganhasse uma segunda vida. A partir de
então, e ao longo de duas décadas, ele emprestou fundos para dezenas de países
endividados, exigindo em troca a aplicação de programas de ajuste estrutural.
Com isso, ganhou a fama de guardião temido do "Consenso de
Washington".O fracasso dos métodos foi vigorosamente denunciado, entre
outros, pelo antigo economista-chefe do Banco Mundial Joseph Stiglitz: "A
liberalização do comércio, combinada com juros elevados, constitui método quase
infalível para destruir os empregos e espalhar o desemprego - em detri-mento
dos pobres. A austeridade orçamentária aplicada cegamente no quadro de uma
situação inadaptada pode levar a um aumento do desemprego e a uma ruptura do
contrato social".Nos anos 1990, crises financeiras na Ásia e na A. Latina,
além da pobreza na África, desfecham duros golpes contra a credibilidade do
FMI, obrigando-o a questionar a validade de suas práticas. Contudo, o anúncio,
em 1999, de uma "nova arquitetura financeira internacional" e a
adoção, em 2002, de um "novo consenso" em Monterrey, México fracassam
em promover mudanças relevantes.Decididos a se livrar da dependência dos
serviços do FMI, emergentes tiram proveito da evolução da conjuntura global
(aumentos das cotações das matérias-primas e reduções dos juros) para acumular
reservas cambiais. A Tailândia, a Argentina e o Brasil foram os primeiros de
uma extensa lista de países que reembolsaram antecipadamente o total das suas
dívidas.Ao perder os principais clientes e, portanto, parte considerável das
fontes de recursos, o FMI amargou a queda do total dos créditos, que passou de
US$ 103 bilhões em 2003 para US$ 16,1 bilhões em 31 de março de 2008 - dois
terços dos quais em empréstimos contraídos só pela Turquia. Déficit
orçamentário Quando
Dominique Strauss- Kahn assumiu a direção, em novembro de 2007, a instituição
anunciou um déficit orçamentário; meses antes, o relatório Crockett, ao
publicar os resultados da sua auditoria financeira, havia preconizado a redução
das despesas correntes, além da venda de parte do estoque de ouro, de modo a
garantir um fluxo de caixa mínimo. Na primavera de 2008, Strauss-Kahn demitiu
380 funcionários dos 2.634 do Fundo.Com as primeiras crises de liquidez, no
outono de 2008, a situação melhorou: De outubro de 2008 a janeiro de 2009, nada
menos que nove países recorreram ao FMI. O total de seus empréstimos alcança
US$ 48,673 bilhões. À
medida que a lista dos países em crise crescia (Romênia, Líbano, Turquia etc.),
tornou-se evidente que os recursos seriam insuficientes para atender à demanda
de países em apuros. Isso explica o porquê da multiplicação por três dos seus
recursos, anunciada com estardalhaço publicitário pelo G20.A reforma do Fundo,
decidida na mesma ocasião, revelou-se mais discreta. Mas dois progressos
merecem ser salientados: o fim do monopólio europeu da escolha da sua diretoria
e a revisão das quotas até 2011, que objetiva aumentar o direito de voto dos
emergentes. Essas
medidas se destinam a promover a democratização da instituição, cujo modo de
decisão censitário e baseado nos equilíbrios do pós-guerra prevê que países
industrializados, como principais contribuintes, são detentores da maioria dos
votos. Contudo, depois de uma primeira reforma cosmética em 2006, esse ajuste
se aplicará a só 10% do direito de voto, o que pouco modificará os
equilíbrios.Além disso, o G20 não teve progresso no que diz respeito às
condições que o FMI costuma impor para outorgar empréstimos. Vale reconhecer
que ele confirma a nova linha flexível de créditos (LFC) implantada em outubro
de 2008, que consiste em fornecer, aos países em situação difícil, liquidez por
período de três meses sem exigir a aplicação de programas de recuperação nem
quaisquer condições relativas à sua situação estrutural. Mas essa linha de crédito
de US$ 100 bilhões destina-se só àqueles cuja política é considerada
"saudável" e, portanto, diz respeito a um número reduzido de
privilegiados.Em dezembro de 2007, o Escritório Independente de Avaliação do
FMI constatou, em relação a 120 programas financiados em 55 emergentes, de 1995
a 2004, que o Fundo havia imposto 17 condições por programa - número excessivo
e que deverá ser reduzido para quatro ou cinco, no futuro.Em março de 2009, a
instituição anunciou a "revisão drástica" da política de empréstimos
e "o fim dos critérios de desempenho estrutural". Em vez de financiar
programas cujos critérios de desempenho devem ser alcançados uma vez concedido
o empréstimo, a nova regra consistiria em transferir as parcelas só quando as
reformas exigidas já estiverem realizadas, o que equivale a favorecer os países
"cujo desempenho é satisfatório". Os
ajustes estruturais não desapareceram; o que muda é o momento em que o
pagamento é efetuado, assim como o modo de avaliação do programa. Com isso, a
reforma revela ser menos profunda do que o anunciado, faltando muito para que
as políticas do passado sejam canceladas.Embora a diretoria do Fundo tivesse
insistido, nos últimos meses, em preconizar um plano keynesiano de recuperação
"contracíclico" para debelar a recessão, seus créditos permanecem
vinculados a medidas "pró-cíclicas" que envolvem aumento das taxas de
juros, redução das despesas públicas e congelamento de salários.Conforme
demonstrou um estudo da rede internacional Third World Network, sobre os empréstimos
outorgados a nove países de outubro de 2008 a janeiro de 2009, as condições
orçamentárias e monetárias permanecem tão restritivas quanto no passado. Entre
outros exemplos, o aumento das taxas de juros foi de 6% na Islândia e na
Letônia e de 2% no Paquistão, enquanto o déficit orçamentário deve ser
diminuído de 3,4% para 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) na Hungria, e de 6%
para 3,75% na Geórgia; e deve ser reduzido a 0% na Ucrânia. Assim, o esquema
permanece o mesmo: como contrapartida para o salvamento dos sistemas bancários,
são impostas medidas de austeridade e de saneamento econômicos que pesam sobre
as populações locais. Divisas
supranacionais No
afã de comprovar a determinação em fazer respeitar suas condições, o FMI
anunciou em 2 de abril de 2009, no mesmo dia em que o G20 decidiu triplicar
recursos, a suspensão do empréstimo à Letônia até que se pudesse constatar
maiores progressos na redução das despesas públicas daquele país. A Letônia
pediu então, sem sucesso, que a meta de redução do déficit público para 5%
fosse revisto para 7%. Alegava que não gastara mais do que o previsto no
programa, mas que o problema vinha do fato de o país enfrentar uma brutal
contração do PIB, o qual sofrera um déficit de 12% em 2008 em vez dos 5%
previstos.Além disso, o G20 não se manifestou a respeito dos desequilíbrios
financeiros internacionais que provêm do fato de os EUA financiarem seu déficit
contraindo empréstimos de modo maciço junto aos países emergentes - entre os
quais a China, que se tornou o principal detentor de bônus do Tesouro
americano. Não só a arquitetura monetária global sofre de instabilidade, como
ainda está baseada em uma divisa cujas emissões excessivas apresentam o risco
de provocar sua queda. Com isso, o sistema atual tende a se autodestruir, uma
vez que a moeda de referência internacional (o dólar) é a de um país (os
Estados Unidos) que tem se endividado cada vez mais.Paralelamente, a China e os
outros países emergentes têm mobilizado centenas de bilhões de dólares para
financiar o déficit americano, embora necessitem sobre-maneira de recursos para
o próprio desenvolvimento. Além disso, em caso de crise da moeda americana,
eles correm o risco de ver as reservas em dólar se transformarem em fumaça. Não
foi por acaso que o governador do BC da China propôs, nos dias que antecederam
a reunião do G20, um novo sistema de reserva internacional baseado em uma
divisa supranacional não vinculada a um país em particular, inspirado no modelo
dos direitos especiais de saques. Essa
solução, que também foi proposta pela comissão de especialistas da ONU sobre a
crise financeira, pela Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o
Desenvolvimento (Cnuced) e por vários outros países emergentes (Brasil, Rússia,
África do Sul, Coréia do Sul etc.), se inspira em uma ideia de John Maynard
Keynes. O economista havia sugerido fundamentar o sistema de Bretton Woods em
uma moeda de reserva supranacional (o "bancor"), e não no dólar e no
ouro como foi finalmente decidido. Essa alternativa equivaleria, portanto, a insuflar
no FMI uma vida que jamais conheceu, a não ser na mente de Keynes: assegurar os
equilíbrios financeiros internacionais no quadro de um sistema monetário
baseado em uma moeda de reserva mundial que não seria mais vinculada a um país
e, com isso, não mais perderia valor ao sabor dos déficits deste último. A
medida é politicamente impossível de implantar a curto prazo: implicaria a
aceitação pelos EUA da perda do estatuto do dólar. Mas as coisas poderiam
evoluir a médio prazo, no caso de uma derrocada da moeda americana. Ora,
segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os
planos de salvamento e recuperação implicam crescimento da dívida pública
americana em cerca de 40% no período de três anos. Na falta de medidas eficientes
contra a especulação financeira, vão contribuir para criar novas bolhas - a
bolha relativa aos bônus do Tesouro dos EUA parece crescer diante dos nossos
olhos. Ora, a história financeira ensina: bolhas sempre estouram. Dívida dos
Estados cai e superávit primário cresce, aponta estudo do BC
Autor(es): Ana
Paula Grabois
Valor Econômico
- 11/05/2009
As
finanças dos Estados e dos principais municípios brasileiros melhoraram nos
últimos anos, após a renegociação das dívidas com a União entre 1998 e 2000 e
da entrada em vigor da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), em 2000, segundo
estudo do Banco Central. De modo geral, o endividamento dos Estados e dos
municípios caiu, enquanto o superávit primário aumentou no período compreendido
entre 1998 e 2008. O
peso das dívidas líquidas das administrações estaduais e municipais sobre o PIB
se manteve em alta até 2003. Caiu de 2004 até 2007, mas subiu no ano passado
com a aceleração do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI),
indexador das dívidas com a União. A perspectiva do BC, no entanto, é de que o
nível de endividamento caia em 2009. "No ano passado, a elevação do IGP
pressionou a dívida estadual e municipal em diversas áreas do país. No entanto,
cabe notar que, a julgar pela projeção dos analistas, o IGP deste ano deve ser
bem mais modesto, o que contribui para conter o endividamento", afirmou o
diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita. Alguns Estados e
municípios têm pleiteado a substituição do IGP-DI pelo Índice de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA), utilizado no sistema de meta de inflação do governo. Por
conta do efeito do IGP-DI, a dívida da região Sudeste subiu 12,1%, devido
principalmente ao pagamento de juros de R$ 49,1 bilhões. Desse total, 64%
correspondeu ao juros pagos por municípios e governo estadual de São Paulo.
Mesmo efeito sofreram o Centro-Oeste e o Sul, onde as dívidas aumentaram 4,6% e
14,1%, respectivamente. Por conta do bom desempenho dos superávits, a região
Nordeste conseguiu reduzir a dívida líquida em 4,9% sobre o ano anterior, na
mesma situação do Norte, onde a dívida caiu 1,7%. Na
comparação de 2008 com 2005, todas as administrações estaduais apresentaram
queda na relação entre a dívida líquida e a receita corrente líquida. Na média,
a redução chegou a 40% no período, com maior intensidade na região Norte, de
73%, e menor velocidade no Sul, onde a queda correspondeu a 15%. De
acordo com o levantamento do BC, o resultado primário de Estados e principais
municípios apresentou reversão desde 1998, quando havia déficit de 0,18% do
PIB. Em 2008, foi apurado superávit de 1,06% do PIB, muito apoiado pelo aumento
de arrecadação do ICMS. A partir de 2005, todas as regiões do país obtiveram
alta nas receitas de ICMS, com destaque para o Centro-Oeste (30%) e Sudeste
(28,7%), região de maior dinamismo econômico e que concentrou 56% da
arrecadação total de Estados e municípios. Em 2008, o ICMS arrecadou cerca de
R$ 225 bilhões. A receita com o Imposto sobre Propriedade de Veículos
Automotores (IPVA) ganhou importância até o ano passado, ao subir 43,8% em
relação a 2005 e atingir R$ 17,8 bilhões. O
BC observa que a melhoria nas contas públicas dos Estados e municípios está
relacionada aos programas de ajuste fiscal implementados como condição aos
refinanciamentos das dívidas com a União, que vincularam parcela das receitas
ao serviço da dívida, além de estabelecer limites para contratar operações de
crédito. Além disso, a LRF reforçou os dispositivos do ajuste ao impor regras
para a gestão fiscal mais responsável. A lei, por exemplo, estabeleceu limite
para o gasto com pessoal, de 49% sobre a receita corrente líquida. Essa
relação, que chegou a 42% em 2004, caiu para 40% em 2007. Já
as transferências federais para os governos regionais - Fundos de Participação
dos Estados e Municípios, Fundo de Compensação pelas Exportações de Produtos
Industrializados e outras transferências - totalizaram R$ 98,5 milhões no ano
passado, com alta real de 21,9% desde 2005. O Nordeste, devido à política de
reduzir as desigualdades regionais, recebeu o maior volume, de R$ 40 bilhões,
seguido pelo Sudeste (R$ 20 bilhões), onde existe a maior concentração
populacional do país. Uma cidade
debaixo d' água
Uma cidade
inteira debaixo d’água
Jornal do
Brasil - 11/05/2009
Dentre
as centenas de municípios atingidos pelas chuvas no Norte e no Nordeste, a
pequena Trizidela do Vale, no Maranhão, é a que mais impressiona: a cidade está
praticamente inteira debaixo d"água. Os estragos causados pela chuva já
afetaram mais de 912 mil pessoas no país. Ao todo, 44 pessoas morreram. Município
no interior do Maranhão fica praticamente submerso devido a fortes chuvas Dentre
as centenas de municípios atingidos pelas chuvas na Região Nordeste, a situação
da pequena Trizidela do Vale, localizada há 280 quilômetros de São Luís, no
Maranhão, impressiona. Agências bancárias, postos dos Correios, cemitério,
farmácias, telefones públicos, postes de eletricidade, tudo foi encoberto pelas
águas do Rio Mearim que subiram mais de seis metros acima do nível normal desde
o início das fortes chuvas que atingem a região desde abril. Segundo
a Defesa Civil do Maranhão, em Trizidela do Vale as enchentes deixaram 3.643
desalojados, 4.510 desabrigados e um morto. De acordo com o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do município é de
aproximadamente 18.8 mil pessoas. A estimativa é de que quase 15 mil tenham
sido afetadas. Apesar do número alto de desabrigados, o medo de saques levou
muita gente a não abandonar suas casas. Os desabrigados lotam as escolas da
cidade vizinha de Pedreiras, onde recebem cestas básicas e kits dormitórios
distribuídos pela Defesa Civil. No
Maranhão, sete pessoas já morreram devido às chuvas. Cerca de 39 mil estão
desalojados, 26 mil desabrigados e 72 municípios estão em situação de
emergência. A Defesa Civil estadual lançou a campanha SOS Maranhão,
disponibilizando uma conta bancária para doações. Os interessados podem
depositar as doações em dinheiro na conta corrente da Caixa Econômica Federal. Problema
antigo Localizada
às margens do Rio Mearim, na região central do Maranhão, a cidade de Trizidela
do Vale já convive a um bom tempo com as enchentes. No entanto, nenhuma foi tão
forte como a deste ano que deixou a maior parte da cidade submersa e atingiu
quase 90% da população. Os
que tiveram que deixar suas casa voltam todos os dias para a entrada da cidade,
na beira da ponte que separa o município da cidade de Pedreiras, alugam uma
canoa e vão para os locais onde moravam e tomam conhecimento dos danos causados
pela cheia. – Pago R$ 8 todo dia na canoa para olhar minha casa. Consegui tirar
alguns móveis, mas perdi muita coisa – conta o aposentado Benedito Furtado, que
teve sua casa alagada há duas semanas. Nascido
no município, o cinegrafista amador Rondiney da Silva acredita que para evitar
novas cheias seria preciso construir uma nova barragem no próprio Rio Mearim. –
Acho que só outra barreira para evitar outras enchentes – disse o cinegrafista
que teve sua casa inundada pelas águas. A
dona de casa Francisca Pinheiro do Vale perdeu as contas de quantas vezes sua
casa foi invadida pelas águas. Mesmo acostumada a conviver com o problema, pede
que as autoridades tomem providências. – Eles têm que fazer alguma coisa. Acho
que poderiam fazer outra barreira – pede. Juro básico
cai, mas taxa de administração sobe
Autor(es): Juliana Rangel
O Globo - 11/05/2009
Bancos
elevaram encargos em várias categorias de fundos, segundo estudo. Cobrança
chega a 5% no varejo A
rápida queda da taxa básica de juros, a Selic — de 13,75% em dezembro de 2008
para 10,25% em abril —, que levará a mudanças na remuneração da poupança, não
fez as taxas de administração dos fundos de investimento caírem no mesmo ritmo,
em busca de competitividade. Levantamento
feito entre algumas das classes mais procuradas, com base em dados da
Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), mostra que houve
pequenas reduções nos segmentos de capital protegido, multimercados e ações
referenciados no Ibovespa desde dezembro. Mas outros fundos, na média, viram o
percentual subir. As
taxas dos fundos de renda fixa, por exemplo, passaram de 1,06% em dezembro de
2008 para 1,07% em março deste ano. Mas
o vice-presidente da Anbid, Alexandre Záquia, diz que o número não reflete a
realidade do pequeno investidor, que aplica em bancos comerciais, já que
considera grandes investidores institucionais que aplicam em fundos abertos.
Para o varejo, as taxas são ainda mais altas, embora venham caindo ao longo dos
anos, quando isoladas. Segundo
Záquia, o percentual para renda fixa no varejo, sem a distorção, passaria de
2,26% em dezembro para 2,12% em março. Em
2005, era de 2,44%. Para
consultor, falta competitividade aos fundos Uma
ronda feita nos sites dos principais bancos comerciais, como Caixa Econômica,
Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander, mostra uma realidade mais dura
para aplicações iniciais baixas, de até mil reais. No varejo, as taxas de
administração chegam a 5% para fundos DI, e a 4% na renda fixa. Ainda
assim, Záquia garante que a cobrança já baixou. —
Isso aconteceu basicamente por três motivos: queda da taxa básica Selic,
aumento da competitividade e crescimento da indústria de fundos, o que dilui
custos para o investidor. Mas,
se a queda ainda não chegou ao pequeno poupador no ritmo esperado, a preocupação
aumenta com a disposição do governo de mexer na rentabilidade da poupança,
tornandoa menos atraente. Por ter maior segurança, isenção de Imposto de Renda
e taxa de administração, a caderneta pegou parte das aplicações em renda fixa
nos últimos meses. O movimento criou um problema para o governo, já que os
fundos de investimento são os grandes compradores de títulos emitidos pelo
Tesouro, que financiam a dívida pública. Entre as propostas avaliadas está a
fixação de um percentual da Selic para remunerar a poupança. O
consultor financeiro Paulo di Blasi questiona a falta de competitividade dos
fundos: — A Selic caiu e os fundos ficaram menos competitivos porque estão
cobrando caro, e ninguém questiona isso. Tudo bem que tenha um ajuste na
economia como um todo por causa da redução da Selic. Mas não adianta piorar a
concorrência em vez de melhorar o próprio produto. A
consultora de imagem Juliana Burlamaqui prefere aplicar em CDBs (títulos
privados de dívidas de bancos) para evitar as taxas de administração. —
Isso pesa na minha decisão, já que entre os fatores avaliados estão segurança e
rentabilidade — diz. Záquia
admite que algumas taxas cobradas no varejo são altas, principalmente para
fundos com menor gestão, como renda fixa e DI. Mas, para fundos multimercados e
de ações, mais elaborados, ele acha justa uma taxa maior. —
Se você paga 3% ao ano, significa que o banco está ganhando R$ 3 para uma
aplicação inicial de R$ 100. É pouco, considerando que os bancos têm custos com
call center, equipe de análise, distribuição, treinamento de gerentes etc. —
diz. O
responsável pelo departamento de Investimentos do Bradesco, Marcos Villanova,
diz que, por enquanto, o investidor ainda está aceitando as taxas atuais. Mas o
banco avalia alterações em sua política. —
Estamos pensando em como administrar isso (queda da Selic). O mais provável é
que a gente libere quantias menores de investimentos iniciais para fundos com
taxas de administração mais baixas.
SHCGN 702/703 Bloco E, Loja 37 Prédio do SINDIRECEITA 2º andar CEP: 70.720-650 Brasília-DF
|